Nampula continua sendo paraíso de tráficos

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Droga apreendida pela PRM
  • A PRM apreendeu pontas de marfim e pedras preciosas nas mãos de traficantes.

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte do país, continua sendo um dos preferenciais pontos de trânsito para o tráfico de natureza diversa, desde seres humanos, animais selvagens (e respectivos troféus), drogas, armas de fogo e madeira.

Alguns destes produtos são originários da mais populosa província de Moçambique mas, outros estão mesmo em trânsito.

Últimas informações em nosso poder indicam que, pelos menos, sete pontas de marfim e mais de vinte quilogramas de pedras preciosas, incluindo o cobre foram apreendidas em Nampula, no último domingo pelas autoridades policiais. A mercadoria provinha do distrito de Nacarôa.

Há suspeitas de que as pontas de marfim eram provenientes da reserva do Niassa e que a posterior seguiriam para Ásia, através do aeroporto internacional de Nampula.

A apreensão das pontas de marfim teve palco no bairro dos Belenenses, arredores da cidade de Nampula e estavam na posse de três indivíduos que pretendiam comercializar a um outro de nacionalidade estrangeira.

O bairro dos Belenenses tem se destacado como maior albergue de cidadãos de nacionalidade estrangeira, na sua maioria provenientes dos países africanos localizados na região dos Grandes Lagos, bem como tem sido um dos principais pontos de tráfico e consumo de drogas no município.

Um trabalho coordenado entre a Polícia da República de Moçambique (PRM) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) culminou com a detenção, em flagrante delito, de dois dos três indiciados do tráfico das pontas de marfim.

Segundo apuramos das fontes policiais, o Samito, o cabecilha da “gang” pôs-se em fuga no momento da rusga, facto que fez com que a corporação usa-se força letal para imobiliza-lo, o que sucedeu com o baleamento numa das suas pernas.

Dinheiro falso

Igualmente, a polícia diz que recuperou quatro volumes de folha de produção de notas falsas de dólar norte-americano, bem como notas falsas e outros objectos de prática criminal.

Paulo, de 55 anos de idade, residente no bairro de Namutequeliua, é um dos três indivíduos indiciados no tráfico de pontas de marfim e pedras preciosas. Ele é garimpeiro ilegal, confesso, há bastante tempo.

Além de extrair as pedras preciosas e semi-preciosas, numa das regiões em Nacarôa, compra e comercializa os minérios para cidadãos, na sua maioria, de origem estrangeira.

No dia da sua detenção, de acordo com ele, teria sido solicitado pelo seu comparsa Samito para o campo de Namutequeliua, vulgarmente conhecido como “campo dos Makondes”, alegadamente, porque tinha um cliente. Mas, na verdade, não se tratavam de clientes, mas sim investigadores policiais.

“Pediram que lhes acompanhasse na minha casa e lhes mostrasse as pedras e cobre, fiz o mesmo porque era meu. Marfim, não tenho nada haver mas, só vi na minha casa. Daí levaram-me a Polícia”, disse Paulo.

Era intenção de Paulo levar o seu produto para comercializar na vizinha província da Zambézia mas, quis o azar bater-lhe a porta e ser traído pelo seu amigo.

“Vivo graças a venda de casas e recebo comissão. Nunca fui criminoso, mas fiquei surpreendido quando fui detido, alegando que falsifico notas”, disse outro elemento do grupo que alega ter sido traído pelo Samito.

Entretanto, Zacarias Nacute, porta-voz do Comando Provincial da Polícia da Republica de Moçambique em Nampula, disse que a detenção dos supostos criminosos resulta de um trabalho coordenado entre a sua corporação e o SERNIC, mediante às denúncias populares.

“Reiteramos apelos as populações no sentido de continuar a colaborar com as autoridades policiais na denuncia de casos criminais”; exortou. (Sitoi Lutxeque)