Ameaças e intimidação a jornalistas SERNIC pressionado a procura mostrar serviços em Nampula

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Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na província de Nampula, maior círculo eleitoral do país, finalmente cedeu a pressão e começou a tentar investigar as ameaças de que foram vítimas quatro jornalistas e um observador eleitoral.

Trata-se dos padres Benvindo Tapua, Cantifula de Castro, respectivamente director e director adjunto da Rádio Encontro, Aunício da Silva, jornalista e director editorial do Jornal Ikweli, Arlindo Chissale, jornalista da Rádio Comunitária de Nacala e António Mutoua, presidente da Sala da Paz, uma plataforma de observação eleitoral.

As ameaças tiveram lugar, largamente, em Outubro do ano passado, logo após o anúncio dos resultados das quintas eleições autárquicas, em que a Frelimo perdeu em cinco dos sete municípios de Nampula.

As vítimas receberam chamadas com números privados, ameaçando-as que poderiam ter consequências graves com a derrota da Frelimo nos municípios de Nampula, Nacala-Porto, Ilha de Moçambique, Angoche e Malema.

Estranhamente dos cinco intimados, apenas duas pessoas é que receberem as notificações enquanto as outras três até ao fecho desta edição ainda não haviam recebido sequer uma notificação para serem ouvidos, depois que a Rádio Encontro negou receber as intimações das outras vítimas pois, todos vinham identificados como sendo trabalhadores daquela estação de rádio católica.

Na sexta-feira, foram ouvidos, como declarantes, os padres Benvindo Tapua e Cantifula de Castro, todos gestores da Rádio Encontro, uma estação emissora pertencente à igreja católica, que transmite as suas emissões desde 30 de Dezembro de 1995, na cidade de Nampula.

Em entrevista ao Jornal Ikweli, o padre Cantifula de Castro, director adjunto da Rádio Encontro, lamentou e disse que o SERNIC, só depois de ter sido pressionado é que, decidiu tomar uma posição de tentativa de investigação, tendo recordado que a sua instituição já havia denunciado um outro caso de ameaças de morte em Março do mesmo ano, quando Paulo Vahanle, da Renamo, derrotou Amisse Cololo da Frelimo, em eleição intercalar realizada no município de Nampula para o preenchimento da vacatura na presidência da autarquia originada pelo assassinato bárbaro do autarca Mahamudo Amurane.

“SERNIC agora mostra-se preocupado porque alguém deu um empurrão, que é a Liga Nacional dos Direitos Humanos. Provavelmente, se não tivesse sido inscrito este ofício [da Liga] nada poderia acontecer para que houvesse estas audições”, disse o clérigo.

O Padre Cantifula de Castro está optimista quanto ao esclarecimento e à responsabilização dos indivíduos que lhes ameaçavam de morte. “Como é um organismo [Liga] extra Governo que está a fazer pressão, temos fé que podemos colher resultados que favoráveis”, precisou.

Apesar de não ter recebido nenhuma convocatória oficial, o nosso Director Editorial e PCA da Agência de Comunicação e Informação R&A, Lda, detentora do Jornal Ikweli, Aunício da Silva, foi um dos intimados, mas sem nenhum  documento formal.

Aunício da Silva afirmou que só teve conhecimento através de colegas que foi intimado, mas não sabe a data certa para a sua audição.

O jornalista e director editorial do Ikweli  não tem dúvida que o SERNIC pouca coisa poderá fazer, para além do silêncio que já habituou aos moçambicanos, no que concerne a esclarecimentos de determinados crimes.

“As convocatórias para interrogatórios nos Serviços Nacional de investigação Criminal são o reflexo de um Estado e sistema falhados. Portanto, num momento de desespero, querendo mostrar serviço, por causa da pressão da Liga dos Direitos Humanos, há esse interesse por parte do SERNIC em esclarecer a questão, mas sabemos que isso não vai dar em nada. Já tivemos casos muito mais complicados, como o assassinato de Mahamudo Amurane e de tantos outros membros da RENAMO na província de Nampula que não foram, até hoje, esclarecidos”, disse.

O nosso jornal ouviu o jurista Arlindo Muririua sobre este caso. O jurista, que também já foi observador eleitoral em muitos processos, entente que o facto de as audições iniciarem agora pode ser um aproveitamento político, face as próximas eleições gerais marcadas para Outubro.

“Estas convocatórias não seriam para as investigações, mas para informar [os visados] sobre as pistas que têm. O SERNIC às vezes perde o sentido do tempo. Nós vimos que Amurane morreu há um ano, mas quando aproximavam as eleições [de Outubro passado] foi quando anunciaram que os arguidos tinham sido constituídos”, disse. O analista acrescentou que não haverá nada de especial no caso das ameaças de mortes contra os jornalistas. (Sitoi Lutxeque e Redacção)