Lixo sufoca Vahanle

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Cenário de remoção de lixo no município de Nampula

Nampula (IKWELI) – A gestão de resíduos sólidos no município de Nampula, norte de Moçambique, constitui um dos principais entráves do actual autarca, Paulo Vahanle, o qual chegou ao poder em Março do ano passado, depois de vencer a eleição intercalar que tinha em vista o preenchimento da vacatura provocada pelo assassinato de Mahamudo Amurane, em Outubro de 2017.

Quando assumiu as rédeas do mais importante centro urbano do norte de Moçambique, Paulo Vahanle não tinha bancada na Assembleia Municipal local, por isso, a aprovação dos seus projectos de governação viam-se ameaçados.

Na altura o Conselho Municipal estava enfermo de problemas, desde as dívidas com fornecedores bens e serviços, bem como a própria colecta de receitas.

Porém, mesmo depois de todo esse período, a recolha do lixo na autarquia não melhorou e a situação torna-se grave nesta época chuvosa.

Igualmente, a deficiente recolha de resíduos sólidos contribui no surgimento de um outro problema que é a intransitabilidade rodoviária na autarquia.

Os munícipes, maioritariamente eleitores de Vahanle, começam a ficar agastados com a situação pois, receiam a eclosão de doenças de origem hídrica.

A nossa reportagem esteve em diferentes bairros da autarquia e, constatamos que os resíduos sólidos já estão até a causar a intransitabilidade de viaturas. Também, notamos que, devido às chuvas que caem nos últimos dias, há cidadãos que partilham espaço com quantidades de lixo nos seus quintais, facto que periga a saúde deles.

Márcia Alberto, residente no bairro de Namutequeliua, lamentou pelo facto das autoridades municipais estarem pouco, senão nada, a fazer para a resolução do problema, este que, futuramente, poderá causar vitimais mortais devido a contracção de doenças de origem hídrica.

“Existem locais de difícil acesso, devido ao lixo, e com essas chuvas já está a causa mau cheiro assim como mosquitos”,  disse, visivelmente preocupada.

Bento Ponte, de 47 anos, é um outro cidadão ouvido pelo nosso jornal. Ele é residente do bairro de Muatala, concretamente na Zona do São José. Para ele, devido ao lixo, estão criadas todas as condições necessárias para a eclosão de doenças diarreicas, dai que pede a intervenção das autoridades que competem a remoção de resíduos sólidos.

“De tanto lixo existente o mau cheiro tornasse inevitável. Sou sapateiro e trabalho bem perto daqui. Esse cheiro nos faz mal”, lamentou o nosso entrevistado vincando apelos para remoção de quantidades de lixo que tira sossego os moradores.

Autarquia sem meios

Entretanto, o presidente do Conselho Autárquico de Nampula reconhece o problema do lixo que afecta quase todos os bairros, incluindo ruas da capital provincial, mas assegura que o mesmo será resolvido.

Outrossim, Vahanle alega a exiguidade de recursos materiais como sendo uma das causas que retarda a retirada de resíduos sólidos na cidade que dirige desde 18 de Abril do ano passado, quando ganhou a segunda volta da eleição intercalar.

“Realmente temos problemas de recolha de lixo em alguns bairros e estamos a espera de contentores e mais outras máquinas, só que o fornecedor, neste momento, está um pouco atrasado, visto que o equipamento vem de Portugal”, disse para acrescentar que “estamos a espera de 60  contentores para poder distribuir nas zonas  para o depósito do lixo”. (Elisabeth Tavares)