Nampula destruída pelas chuvas

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Estado das ruas de Nampula após chuvas

Nampula (IKWELI) – O município de Nampula, o maior do norte de Moçambique, ressente-se dos efeitos das chuvas que se fazem sentir desde finais de Dezembro último, com relatos de mortes, destruição de casas e vias de acesso danificadas.

A nossa reportagem contabilizou, pelos relatos colhidos nos bairros, um total de dez vítimas mortais em consequências das enxuradas. A maioria delas foi arrastada pela força das águas

As vias de acesso são a outra vítima das chuvas. Ao nível da cidade cimento, os buracos nas estradas ressurgiram de forma agressiva e perigosa para a transitabilidade de todos os utentes, desde os automobilistas aos peões.

Aceder alguns bairros periféricos, como é o caso de Marrere e Murrapaniua, é um martírio total, tendo conta as crateras abertas pelas águas das chuvas e as pontes destruídas.

Outra contagem feita pelo nosso jornal está ligada com casas destruídas. Os bairros de Mutauanha, Muatala, Namicopo e Napipine, por onde passamos, o número de casas destruídas varia de 600 a 1000 unidades.

Este fenómeno já ameaça isolar algumas zonas residenciais. No bairro de Mutauanha, as unidades comunais do Piloto e Muthita, atravessadas pelo rio Naphuta, podem estar isoladas se as chuvas intensas que se fazem sentir, nos últimos dias, continuarem, uma vez que não há nenhuma ponte que une as duas zonas.  Entretanto, os moradores pedem para que as autoridades municipais criem soluções, construindo uma ponte ou aqueduto, para evitar que o pior venha acontecer.

Ruas de Nampulas após as chuvas

Falta de apoios

Os residentes, entrevistados pela nossa equipe de reportagem, mostraram-se preocupados pelo facto de as autoridades governamentais pouco, senão nada, fazerem para apoiar as vítimas a minorar o sofrimento, através de fornecimento de matérias de construção e abrigo.

Ana Arlindo, residente na Unidade Comunal de Muthita, perdeu boa parte dos seus bens, na sua maioria electrodomésticos, depois de que uma parede sua casa de construção precária desabou.

“Até agora não tive nenhum apoio e não sei se terei. Neste bairro parece que não temos as autoridades locais [secretários e chefes dos quarteiros]. Ainda não recebi sequer visita de um deles, pelo menos só para contabilizar os danos que as chuvas causaram. Nos anos passado a situação era diferente, havia pelo menos apoio”, disse Ana Arlindo, visivelmente preocupada.

“Deveria existir um plano de manutenção das ruas. É muito desgastante sempre que cai chuva termos que sofrer assim”, disse Caetano Alfredo, um cidadão residente no bairro Muhala – Expansão, na cidade de Nampula.

Um outro cidadão que não quis se identificar, mas residente no bairro de Muatala, concretamente na chamada zona da “Madalena Maluca”, disse que “basta cair chuva sofremos com nossos carros. Tem havido muitos buracos e os nossos carros pequenos têm enterrado. Precisamos de uma intervenção das autoridades municipais”.

Entretanto, para defender-se das chuvas e, consequentemente, o pior que as mesmas possam causar, algumas famílias, no bairro de Mutauanha, decidiram entulhar as estradas e canais da corrente de água com pedras e lixo.

Há famílias que encontraram outras formas de desviar a corrente das águas das chuvas. Elas usam sacos com areia no seu interior e colocam um por cima de outro, fazendo barreira, como forma de evitar a fuga das águas para o interior dos quintais das casas assim como nas estradas. Esta é mais uma outra alternativa para contornar os estragos. Mas, mesmo assim, o perigo continua eminente e se o mau tempo prevalecer, muitas casas poderão ceder.

Ano lectivo comprometido

Na província de Nampula, o ano lectivo escolar 2019, que arranca no próximo dia 1 de Fevereiro do corrente ano, poderá estar comprometido em diferentes distritos da província mais populosa de Moçambique, na sequência da destruição total e parcial de algumas salas de aulas.

A título de exemplo, só na cidade de Nampula, centenas de salas de aulas estão destruídas e muitas delas sem tectos.

Na Escola Primaria da Cerâmica, por exemplo, sete salas de aulas estão sem tecto devido a um vendaval que arrastou a cobertura.

Naquele estabelecimento de ensino primário, a nossa reportagem não conseguiu ouvir a direcção da escola para aferir o nível dos prejuízos. Contactados a secretaria da mesma foi nos informado, na altura, que nenhum membro da direcção estava presente e aconselharam-nos a voltar oportunamente.

Ponte sobre rio Muepelume em perigo  

O acesso ao Hospital Geral de Marrere, o segundo maior da província de Nampula, está ameaçado. A ponte sobre rio Muepelume, infra-estrutura que dá acesso a unidade sanitária, está a corroer-se com a corrente das águas do rio, cujo caudal aumentou com as chuvas, e deixa preocupado os utentes e pacientes da unidade sanitária.

“Se as chuvas continuarem e o governo não fazer uma intervenção, estaremos isolados do Hospital ao resto da cidade”, disse André Kupula, cidadão entrevistado pelo nosso jornal.

Alias, aquela ponte não só dá acesso ao Hospital Geral de Marrere, mas, também, ao bairro nobre e de expansão com o mesmo nome, bem como ao campus da Universidade Lúrio.

Entretanto, para evitar o pior, as autoridades municipais já estão a raspar a estrada de terra batida. A edilidade promete fazer a reposição do saibro removido pelas águas que já passam por cima da ponte.

De acordo com o autarca Paulo Vahanle, a intenção é de, futuramente, asfaltar a estrada, uma promessa que já foi feita por ele na campanha das eleições intercalares do ano passado.

Refira-se que a edilidade adquiriu recentemente equipamentos para manutenção de estradas na cidade de Nampula. Informações em nosso poder, indicam que o Conselho Municipal de Nampula já dispõe de pouco mais de três milhões de meticais para fazer face ao plano de continência nesta época chuvosa. (Elisabeth Tavares e Sitoi Lutxeque)