Mal-do-Panamá leva empresa a falência em Nampula

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Nampula (IKWELI) – A fusariose da banana, doença mundialmente conhecida como o “Mal-do-Panamá”, levou a falência a empresa Matanuska nos distritos de Monapo e Erati, no norte de Moçambique, e com ela várias famílias, também, viram a sua fonte de sobrevivência comprometida.

Entre os anos 2013 e 2018, a Matanuska mandou para o olho da rua mais de quatro mil trabalhadores e perto de 1.550 hectares de terras foram perdidas devido a acção da doença.

Segundo apurou o nosso jornal das autoridades do sector da agricultura o Mal-do-Panamá, doença causada por um fungo que impede a planta de receber nutrientes e água, tem estado a devastar a cultura nas províncias de Nampula e Cabo Delgado.

A situação já está a preocupar as entidades que tutelam a sanidade vegetal nestas duas províncias por isso, durante dois dias quadros do sector reuniram para discutir as soluções prováveis para colmatar a situação. Para além de técnicos da direcção provincial da Agricultura e Segurança Alimentar (DPASA) de Nampula, também, juntaram-se técnicos do nível ministerial e parceiros de implementação.

A boa nova é que existe um fundo para apoiar as empresas afectadas por esta praga, segundo disse Marta Soares, da TechnoServe, que garantiu a disponibilidade de trezentos milhões de meticais.

A TechnoServe vem prestando assistência técnica aos agronegócios em Moçambique com alto potencial de crescimento desde 1998. A empresa vem ajudando a criar um sector agrícola comercial competitivo e sustentável, que gera oportunidades para pequenos produtores e fornecedores rurais e novos empregos para os pobres rurais.

Os actuais ministros moçambicanos da Agricultura e Segurança Alimentar o e da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, nomeadamente, Higíno Marrule e Celso Correia, já trabalharam para a TechnoServe.

No âmbito deste financiamento, segundo Marta Soares, numa primeira fase, 24 milhões de meticais serão disponibilizados à DPASA de Nampula para treinar as comunidades locais. O fundo remanescente deverá ser requisitado pelas empresas que operam na região.

Este financiamento é garantido pelo Departamento da Agricultura do governo americano, através da sua agência de cooperação internacional (USAID) desde o ano passado de 2018.

O governo de Nampula confirma que o combate da praga está acima da capacidade do executivo da província mais populosa do país, segundo Jaime Chissico, director provincial da Agricultura e Segurança Alimentar.

Chissico disse, também, que a situação já está a causar prejuízos económicos para a província, incluindo a balança de colecta de receitas.

Para o dirigente, a maior esperança recai sobre as instituições de investigação agrária, como é o caso do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), que devem encontrar soluções para a doença.

Antónia Vaz, chefe do Departamento de Sanidade Vegetal no Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar, disse, na ocasião, que a doença é de difícil combater pelo facto de ter capacidade de permanecer no solo por mais de 30 anos mas, nem por isso, as medidas de combate devem vergar, por isso, a investigação é a maior esperança para pôr fim a doença.

Em virtude da praga, estas doenças províncias fazem parte das que não devem exportar a banana e respectivas mudas para outros cantos do país e do mundo.

O Mal-do-Panamá corre, regularmente, na Malásia, Austrália, China, Filipinas, Indonésia e Taiwan. (Celestino Manuel)