Município de Nampula: órfão de Amurane e cada vez mais degradado

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Nampula (IKWELI) – Durante os primeiros cerca de quatro anos do quarto mandato na história das autarcizações, a cidade de Nampula, conhecida como sendo a capital do Norte de Moçambique, tinha mudado positivamente, com ruas transitáveis e um ambiente de higiene e saneamento do meio cada vez mais agradável.

Os visitantes já nutriam respeito pela mais importante autarquia do norte do país, tudo porque a direcção executiva da mesma, chefiada pelo malogrado Mahamudo Amurane, dedicou-se a um trabalho cujos resultados faziam inveja a qualquer um mau gestor público.

Os recursos adquiridos localmente em resultado das receitas próprias eram, devidamente, aplicados para a melhoria da qualidade de vida dos munícipes. Outras formas de rendimentos externos da autarquia, ainda que não fossem decisivos de espera para execuções de programas, também, ajudavam na administração do município.

Quis a maldade reinar sobre o bem e o presidente Mahamudo Amurane fosse assassinado no princípio da noite do dia 4 de Outubro de 2018 e com ele, muitos projectos, também, foram a sepultura. A equipa do presidente Amurane foi seviciada e muitas vezes perseguida durante a vacatura, período que o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) assaltou a edilidade, começando mesmo por povoar as ruas com vendedores ambulantes que já tinham se dado por convencido que “ruas não são lugar para a prática de actividades comerciais”.

Foi durante a vacatura que os centros das avenidas de duas faixas conheceram um crescente número de infra-estruturas para o comércio de comida confeccionada no modelo “fast food”.

Em Dezembro de 2017 começou uma nova corrida para a gestão da autarquia com a marcação da eleição intercalar do presidente do conselho municipal de Nampula.

Numa primeira ronda, realizada em Janeiro de 2018, mais de cinco candidatos disputaram a eleição mas, nenhum deles chegou a obter 50% mais um voto, segundo preconiza a lei eleitoral de então, para ser declarado novo autarca de Nampula.

Duas caras suportadas pelos partidos Renamo e Frelimo, nomeadamente Paulo Vahanle e Amisse Cololo António foram a uma segunda volta realizada em Março do ano de 2018.

Paulo Vahanle, então deputado da Assembleia da República e membro da Comissão Permanente, cidadão residente no município de Nampula e sem popularidade alguma até a data, foi eleito o quarto autarca do mais importante centro urbano do norte de Moçambique, para dar cobro ao mandato interrompido de Mahamudo Amurane.

Vindo da Renamo e pela experiência que a urbe viveu com um gestor vindo de um outro partido da oposição, a esperança era mesmo de dias melhores para a cidade de Nampula. Facto que não aconteceu, pelo menos, até aos dias de hoje.

Meses após tomar posse como autarca, Vahanle foi um cidadão que durante as suas intervenções públicas apenas, notabilizou-se com “queixinhas”, dentre dívidas avultadas e inércia dos trabalhadores do município, incluindo a falta de meios.

O autarca encontrou quase toda a equipa que brilhou com o seu antecessor mas, tratou de descartar a todos e montou a sua própria máquina. Até a realização das quintas eleições autárquicas ainda reinava alguma experiência no seio dos munícipes de Nampula sobre um possível retorno de uma excelente qualidade de vida na autarquia.

Compreendia-se na altura que “Vahanle ainda estava a estudar a casa e não teve tempo suficiente para implementar as suas promessas eleitorais”, enquanto isso o lixo foi assaltando as ruas, incluindo os buracos tomando de conta as estradas da urbe.

Em quase um ano da gestão de Paulo Vahanle, para além de promessas, pouco se pode gabar o autarca de bem-fazer para os seus eleitores.

Também, os munícipes já o acusam de “ser incompetente e longe de poder alcançar os êxitos de Mahamudo Amurane”, bastando, por exemplo, ver as obras do mercado grossista do Waresta que pararam faz tempo.

“É preciso que o presidente Vahanle seja ousado. Ele precisa descentralizar algumas decisões, como é o caso da aprovação de licenças e outros documentos, deixando para se as coisas mais sensíveis”, conta-nos um funcionário afecto a Direcção de Construção e Urbanização (DCU), numa perspectiva de que “nada está a acontecer para a dinâmica e o nível de exigências actual dos munícipes de Nampula”.

“Faz favor, quanto tempo leva um documento para ser despachado pelo director”, pergunta um munícipe ao funcionário da DCU que se encontrava no guiché da instituição. Para este utente a resposta de um pedido de legalização da sua parcela de terra nunca veio e foi-lhe recomendado a marcar uma audiência que, habitualmente, acontece em todas as quintas-feiras.

Quem, também, reclama sobre a gestão do actual autarca de Nampula são os jornalistas que entendem que o mesmo é inacessível e de pouca relação com a mídia.

A memoria de alguma tentativa de aproximação de Paulo Vahanle com a imprensa de Nampula remota dos finais do ano passado de 2018 mas, o mesmo viria a gazetar o encontro, alegadamente, por “razões de segurança”, segundo teria alegado, na altura, a assessoria de imprensa do autarca.

Maioritariamente, Paulo Vahanle tem se dedicado a umas saídas para in-loco observar pequenos conflitos de terra nos bairros da urbe, sobretudo os das zonas de expansão, bem como uma “saidinhas” para os mercados locais. Estes eventos têm sido reportados na página do Facebook do município, cujos gestores são campeões em erros ortográficos. (Aunício da Silva)