Reduz fecalismo a céu aberto em Nampula

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Nampula (IKWELI) – Mais de trezentas comunidades dos distritos da província de Nampula, no norte de Moçambique, foram declaradas livres do fecalismo ao seu aberto por terem abandonado a prática que por muito tempo comprometia a saúde pública local.

Esta declaração corresponde, apenas, as comunidades que abandonaram esta má prática do saneamento do meio no ano passado com a construção e uso de latrinas melhoradas.

O fecalismo a céu aberto é apontado, em pesquisas, como estando por detrás do surgimento de muitas doenças de origem hídrica e, a província de Nampula é vista como líder nesta prática.

Uma comunidade é declarada Livre do Fecalismo a Céu Aberto (LIFECAS) quando todas as famílias, ali residentes, dispõem de uma latrina.

As comunidades declaradas livres do fecalismo a céu aberto, no ano passado de 2018, estão localizadas nos distritos de Meconta, Rapale, Mogovolas, Memba, Lalaua, Larde, Angoche, Mogincual, Liupo e Erati e, fazem parte do Programa Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento rural (PRONASAR).

Os números foram anunciados na última sexta-feira (05) durante a realização da 7ª reunião do Comité de Supervisão do PRONASAR, que teve lugar no distrito de Rapale, em Nampula. Participou do encontro o governo provincial e seus parceiros, com o objectivo de avaliar as actividades desenvolvidas na província na área de saneamento e abastecimento de água e projectar o futuro.

Durante o mesmo evento o distrito de Larde foi anunciado como sendo o melhor exemplo no combate ao fecalismo a céu aberto, onde 33 comunidades foram declaradas LIFECAS.

Remita Nacuvaneque, directora dos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas (SDPI) de Larde, disse ao Ikweli que aquele distrito costeiro conseguiu facturar estes resultados através da sensibilização às famílias, líderes comunitários, assim como as confissões religiosas sobre a necessidade de construção e uso de latrinas.

Alias, a nossa entrevistada disse que a aderência das comunidades na construção e uso de latrinas é uma das formas de prevenir o distrito das doenças de ordem hídrica, uma vez garantido o saneamento do meio.

“Diante desta sensibilização colocamos como requisito que para eles terem fonte de água devem aceitar o saneamento do meio. Então, as comunidades que aderiram a construção de latrinas tradicionais passaram a ter uma fonte de água, no âmbito do lote atribuído ao distrito pelo PRONASAR. Porque não adianta ter uma fonte de água enquanto não tem latrina. São duas actividades que concorrem para o mesmo fim”, disse a fonte

Entretanto, nem todos residentes do Larde vêm com bons olhos a construção e utilização de latrinas.   A governante revelou ao Ikweli que os moradores da vila – sede, por questões culturais, preferem ao fecalismo a céu aberto em detrimento as latrinas.

“Estamos a lutar para a mudança do comportamento para Larde – sede, porque eles estão com aquela concepção de que não podem usar a mesma latrina para todas pessoas da família por isso, recorrem a praia para satisfazerem suas necessidades. Este é um desafio”, reconhece Nacuvaneque.

A seguir a Larde estão os distritos de Lalaua e Erati. Neste ultimo, por exemplo, foram declaradas LIFECAS, as comunidades de Munheia, Munheia Mulapane, Eticue, Murothoni, Eticue Nihapiha, Mpuehi – Sede, Javano, Mpuehi Minheuene, Javano Ratane, Maconca – Sede, Corio – A, Meliva e Posto Administrativo de Alua.

O desafio da província mais populosa de Moçambique é a erradicação do fecalismo a céu aberto, uma pratica que representa um atentado a saúde pública.

“Continuaremos ainda a envidar esforços para que as comunidades melhorem cada vez mais as condições de higiene e saneamento, através da construção e uso correcto de latrinas familiares e públicas, principalmente, a nível das escolas, onde o acesso dos alunos a serviços de saneamento e higiene adequados e inclusivos constituem ainda um desafio. Para este ano a meta é a declaração de 260 comunidades LIFECAS ao nível da província”, concluiu Victor Borges, governador de Nampula. (Constantino Henriques)