Arrancou recenseamento eleitoral: STAE continua com os erros de sempre

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Arrancou recenseamento eleitoral: STAE continua com os erros de sempre

 

Nampula (IKWELI) – Arrancou na última segunda-feira (15) a escala nacional o recenseamento eleitoral com vista as eleições de 15 de Outubro próximo e ao nível do maior círculo eleitoral do país, Nampula, o começo não foi dos melhores, segundo reportam nossos correspondentes espalhados por vários pontos.

O Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) continua a cometer os erros de sempre, especialmente na contratação de brigadistas que não dominam o equipamento informático utilizado no processo, envio tardio de materiais, falta de corrente eléctrica, incluindo desordem resultante de uma provável má planificação.

Ao nível da cidade de Nampula, capital provincial, casos arrepiantes verificaram-se até em centros de recenseamento localizados no centro da urbe, como é o caso das Escolas Primárias e Completas (EPC´s) dos Limoeiros, Parque Popular e 7 de Abril. Já na periferia, concretamente nas EPC´s de Mutomote, Namutequeliua e Belenenses há indicações de que os brigadistas não dispunham das senhas para o desbloqueio dos computadores, o que levou ao arranque tardio do recenseamento.

“Até agora não iniciamos com o recenseamento porque quando queremos usar o computador aparece uma chave no canto superior esquerdo e com uns espaços para ser introduzido o código que vai nos permitir imprimir os cartões. Assim estamos parados a espera do técnico do STAE para descodificar. Se não fosse isso essas pessoas da fila já teriam acabado uma vez que não são muitas”, disse-nos um dos brigadistas afecto a EPC de Namutequeliua.

“Dizem que estão a espera de um técnico, mas nós estamos aqui desde de manha”, contou-nos um dos cidadãos que pretendia se recensear em Namutequeliua.

“Ainda não chegou a hora de recenseamento? É que vejo tudo calmo e a fila de mulheres não vejo andar, da maneira que deixei é a mesma que encontro. Assim o que faço sabendo que a fome está tomar conta de mim?”, questionou uma cidadã que pretendia recensear-se na EPC do Belenenses.

“Já recenseei mas não tenho cartão. Eles dizem que há problemas de impressão, assim me disseram para voltar a tarde ou amanha”, disse Matias António, um dos recenseados do primeiro dia no posto da EPC de Mutomote.

Outrossim é que o problema da qualidade dos serviços de fornecimento de energia eléctrica oferecidos pela empresa Electricidade de Moçambique (EDM), também, está a comprometer o recenseamento no maior círculo eleitoral do país.

No distrito de Malema, por exemplo, informações em nosso poder indicam que tractores que transportavam o material de recenseamento enterraram durante a sua ida para os postos, facto que fez com que 15 de Abril não fosse data de início do processo em algumas comunidades.

Os problemas registados deixaram os cidadãos eleitores irritados com a situação, por terem deixado de fazer os seus haveres e quanto cedo se dirigiram aos postos de recenseamento.

Na zona de Mulila, no populoso bairro de Namicopo, até as 11horas o processo ainda não tinha iniciado, segundo observou o Ikweli no local. Neste local todos os computadores ali afectos estavam avariados.

Os brigadistas responderam aos cidadãos eleitores que nada podiam fazer enquanto não houvesse intervenção dos técnicos de informática do STAE.

Ficamos a saber que o posto de recenseamento da EPC de Namutequeliua observou maior enchente logo nas primeiras horas, mas muitos acabaram por desistir devido aos problemas técnicos. Entretanto, na Escola Primaria Completa de Mutomote, o processo não arrancou logo as sete horas por causa da falta da corrente eléctrica naquele estabelecimento de ensino. Depois do seu restabelecimento, os brigadistas depararam-se com os problemas de impressão de cartões, e a saída encontrada foi de inscrever os eleitores para oportunamente passarem a levantar os respectivos cartões.

Entretanto, por volta das nove horas desta segunda-feira passamos no posto de recenseamento localizado no pavilhão dos desportos do Clube Ferroviário de Nampula, onde o processo decorria normalmente, e com mais de vinte pessoas na fila.

De referir que maior parte das pessoas que acorreram aos postos de recenseamento na cidade de Nampula são as que pretendiam actualização de cartão

CPE reconhece os problemas

As autoridades de gestão e administração eleitoral na província de Nampula, maior círculo eleitoral do país, admitem os problemas registados no primeiro do dia do processo de recenseamento eleitoral mas, minimizam como sendo normais e que não poderão comprometer o alcance da meta de inscrever mais de dois milhões e quinhentos mil eleitores.

“Dificuldades da primeira hora sempre vão acontecer e, nós vamos resolvendo poucos aos poucos até terminar o processo”, disse Daniel Ramos, presidente da Comissão Provincial de Eleições (CPE) de Nampula, para depois prosseguir “a nossa acção agora é, primeiro mobilizar as pessoas para afluírem massivamente e depois, contornar todas as dificuldades que tivermos ao longo do processo”. (Constantino Henriques, Sitoi Lutxeque e Teresa Paposseco)