Trabalhadores da extinta empresa estatal Avícola encerram direcção da Agricultura de Nampula por dois dias

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Nampula (IKWELI) – Os portões que dão acesso as instalações da direcção provincial de Agricultura e Segurança Alimentar (DPASA) de Nampula estão bloqueados desde ontem, terça-feira (16), por trabalhadores da extinta empresa estatal Avícola que reivindicam o pagamento dos seus ordenados em atraso a data da privatização da instituição.

Até ao meio dia desta quarta-feira (17), os trabalhadores da DPASA não tinham acesso as instalações e, por isso não podiam trabalhar.

Pereira Traves, representante dos trabalhadores reivindicantes, justifica a postura tomada pelo grupo como mecanismo de pressão para que sejam satisfeitos os seus direitos.

“Nós somos trabalhadores da extinta empresa avícola. A cabeça era a direcção provincial da Agricultura que em conjunto com o governo provincial encerrou a nossa empresa. Quando encerraram a nossa empresa não nos chamaram para continuarmos a trabalhar com os novos patrões aliás, quando encerraram não nos avisaram. Venderam não nos avisaram e não nos chamaram. Não trouxeram um documento que se chama trespasse para estarmos juntos com os novos patrões. Nós fizemos a nossa escrita e entregamos aqui na agricultura e estavam a pôr este assunto como um problema antigo e sem solução. Quando enviamos os nossos documentos para o Ministério do Trabalho, eles levaram para a Assembleia da República”, conta-nos Pereira Traves, que aponta que o parlamento deliberou a favor dos trabalhadores da extinta empresa Avícola.

“No concreto já se debateu o caso, já se analisou e estamos a espera do nosso dinheiro para recebermos. Basta recebermos o nosso dinheiro não verá mais pessoa aqui”, garantiu a nossa fonte.

Traves disse que no total eram seiscentos trabalhadores mas, alguns acabaram por perder a vida e nem familiares têm para reivindicar pelos seus direitos.

“Não bloqueamos. Avisamos a eles que se o prazo de pagamentos garantido para acontecer no passado dia 15 do corrente mês não fosse comprido, aqui não se trabalharia”, apontou o nosso interlocutor, que prossegue dizendo que “neste momento o senhor director provincial da Agricultura deu-nos aquele pedido [apontando para uma carta em papel A4 colada no peito de todos os manifestantes]. Ele prometeu que até no dia 15 viria uma informação qualquer de Maputo e até esse dia não apareceu nenhuma informação. Neste momento, quando vimos que não aparece nenhuma informação de Maputo viemos aqui impedir a entrada dos trabalhadores. Isto, declaro eu”.

Pereira Traves disse que a Polícia da República de Moçambique (PRM) tentou, em vão, persuadi-los a abandonarem a entrada do edifício.

O que mais deixa desgastado aquele grupo de trabalhadores da extinta empresa estatal Avícola é o facto de depois de vencido o prazo do dia 15 de Abril, o director provincial da Agricultura e Segurança Alimentar, Jaime Chissico, não os ter dirigido se quer uma única palavra.

“O director não falou connosco. Indigitou alguém (o Janeiro) para só nos informar coisas que não cabem na cabeça de um homem. Nós somos homens, grandes homens somos idosos, 14 anos quando ouvimos que a empresa foi vendida não retorna a funcionar nós quisemos, entretanto, reivindicar essa situação”, concluiu a nossa fonte. (Aunício da Silva)