Referente ao mês de Janeiro: Último edil da Frelimo em Angoche fez sumir dinheiro de salário em dois dias

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Antigo de edil Angoche, Americo Adamugi, faz sumir dinheiro das contas do municipio

Angoche (IKWELI) – O concelho autárquico de Angoche, no norte de Moçambique, procura a todo o custo reerguer-se da situação deixada pelos últimos gestores que tinham sido eleitos pela lista do partido Frelimo em 2013.

A nova direcção, oriunda do partido Renamo, encontrou uma situação lastimável e com dívidas avultadas, incluindo salários não pagos. Pior ainda é que não havia se quer condições mínimas de trabalhos pois, nem se quer uma esferográfica, papel de resma e recibos de cobranças de receitas nos mercados havia.

Em entrevista exclusiva ao Ikweli, o actual autarca, Ossufo Raja, disse que as dívidas incluem a não canalização para a segurança social dos descontos feitos aos funcionários.

Raja denuncia que “apareceu vencimento para o mês de Janeiro e as pessoas não foram pagas. O dinheiro sumiu em dois dias porque foi depositado no dia 5 e até ao dia 7 quando estavam a nos entregar na havia nenhuma quinhentas. Estava tudo zero”.

A nossa fonte refere que a sua direcção herdou dívidas avultadas que incluem credores públicos e privados.

Em virtude disso, alguns serviços foram cortados, como é o caso de água fornecida pelo Fundo do Investimento e Património de Água (FIPAG).

“Encontramos muitas dívidas. Dívidas, essas que não eram pagas mesmo àqueles trabalhadores de Instituto Nacional de Segurança Social, no valor de um milhão, cento e vinte e seis mil e trezentos e cinquenta meticais (1.126.350,00Mt). Há dívidas com as Finanças que não foram canalizados há dois”, fez saber o nosso entrevistado.

“Temos, também, dívidas com o FIPAG, avaliada em pouco mais de um milhão”, disse o autarca para depois acrescentar que por isso, “temos água já cortada nesta intuição e na urbanização, incluindo a residência oficial do próprio edil. Eu estou a viver na minha casa”.

Dado curioso é que a antiga direcção, chefiada por Américo Adamugi (actual administrador de Monapo), contraiu dívidas com fornecedores de peixe num valor estimado em 256.000,00Mt (duzentos e cinquenta e seis mil) no período de um mês.

“Eles contraiam no mesmo dia dívidas com fornecedores de peixe em pouco mais de trinta mil meticais”, disse Raja.

Para se começar a trabalhar, o autarca viu-se obrigado a reestruturar, profundamente, a casa, incluindo recorrer a pequenos empréstimos para garantir o funcionamento a meio gás da autarquia.

“Para eu começar o trabalho tinha que me deslocar a Nampula para contactar certos amigos para, pelo menos, obtermos caneta e resmas, aquilo que é da primeira necessidade do concelho municipal. Tive que batalhar para termos livros de taxas. Não havia livros de taxas. Nós começamos a cobrar as taxas de mercado no dia 19 de Fevereiro. Tivemos de recorrer a outros amigos para termos material de limpeza porque nem catana, nem ancinho, nem enxada, nem vassoura não encontramos. A cidade já estava em inundada de lixo. Os carros estavam estragados e tínhamos de recupera-los. Recuperamos os tractores, carros da urbanização que diziam que estava em condições, recuperamos carros de polícia municipal e ainda solicitamos um motor que estamos a espera para recuperar um outro carro que era novo e eles trabalharam com ele só três meses”, esclareceu a nossa fonte.

Na entrevista, o autarca disse que continua a usar meios próprios para poder se locomover pois, a viatura protocolar foi sabotada e encontra-se em recuperação na cidade de Nampula.

Com taxas próprias está a se recuperar

 “Pouco a pouco, com as nossas taxas, estamos a tentar levantar este concelho municipal. Pelo menos em termo de lixo já dominamos. Estamos a construir novos gabinetes porque estamos congestionados, não sei como eles trabalhavam com vários sectores no mesmo sítio”, anunciou o autarca para depois prosseguir que “estamos a construir a estrada do mercado da Metal Box e o seu respectivo mercados. É um mercado submerso e moderno. Estou a sair agora  de uma nova estrada que estamos a abrir em Cuanha e vai ligar a estrada que vai a praia nova. Uma alternativa que reduz a distância para a praia nova em cerca de 3 quilómetros”.

Igualmente, o nosso entrevistado avança que “aumentamos a fasquia daquilo que eles cobravam de receitas. Eles diziam que anualmente colectavam 9 milhões. Mas, colectar 9 milhões em um ano era pouco aqui na cidade. Nós, até neste momento, conseguimos em dois meses e meio cerca de 6 milhões”.

Num outro desenvolvimento o nosso interlocutor anunciou que está para breve a reabilitação do parque infantil localizado no centro da cidade.

“Nós estamos a tentar o possível de conseguirmos uma taxa que possa equilibrar as nossas contas”, disse Raja.

Entretanto, o edil de Angoche fez saber que várias obras serão construídas no corrente ano na autarquia que dirige, incluindo a pavimentação de vias de acesso.

Rombo financeiro denunciado à Procuradoria

“O assunto do dinheiro dos salários de Janeiro desaparecido já está na procuradoria”, fez saber Raja, para prosseguir que “nós fizemos um levantamento e estamos a espera do relatório da conta de gerência para depois submetermos ao ministério de tutela. Já escrevemos a procuradoria a denunciar todas estas situações”.

Desembolsos centrais não efectuados

Rajá disse ao Ikweli que há salários em atraso porque o Fundo de Compensação Autárquica ainda não foi desembolsado e a situação compromete os pagamentos na autarquia.

“Eles nos deram o valor do mês de Fevereiro incompleto e nós ainda não mexemos esse valor porque não chega para pagarmos os salários. Usamos o nosso dinheiro que é de cobrança e pagamos o mês de Fevereiro. O valor que transferiram para o mês de Fevereiro não está completo e nós não podemos mexer o valor que não é completo. Os donos das Finanças quando chegarem aqui vão encontrar o dinheiro deles porque não podemos pegar o dinheiro que não chega para pagar a quem e ficar quem”. (Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque)