E o Borges voltou para a residência oficial

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Esta é a residência oficial do governador Victor Borges que alegadamente foi invadida por uma praga de ratos na cidade de Nampula
  • O governador de Nampula garantiu que vai pagar as contas do hotel pessoalmente e pede desculpas a população.

 

Nampula (IKWELI) –  O governador da província de Nampula, Victor Borges, garantiu a imprensa que já regressou à residência oficial desde o último sábado, abandonando o Grand Plaza Hotel, instância turística para onde havia se refugiado temendo pelos ratos que tiveram invadido a sua casa.

Na manhã desta terça-feira (14), o governador convocou a imprensa para uma conferência, na qual comprometeu-se em pagar as contas do hotel, contraídas durante a sua permanência no local.

 

Victor Borges, governador da província de Nampula, que tinha abandonado a sua residência fugindo de uma suposta praga de ratos em plena cidade de Nampula
Victor Borges, governador de Nampula

“A partir de sábado passado, eu voltei a residência oficial. É verdade que há coisas que precisam ser feitas na residência mas, podem acontecer estando lá. Eu quero agradecer aqueles que me abordaram e quando me entrevistaram eu respondi o que é que se passava e, também, quero agradecer a chamada de atenção que resultou da publicação dessa notícia. Muitas pessoas manifestaram o seu desagrado por aquilo que aconteceu”, disse Borges, reconhecendo que a atitude de se mudar para um hotel foi um exagero.

Victor Borges disse na ocasião que “já tendo feito, tenho é de pedir desculpas por ter saído da residência para o hotel. E, também, dizer que perante a indignação das pessoas, achando que essa saída pode provocar encargos financeiros elevados, o que não é justo que se impute o erário público a estadia do governador no hotel, eu já comuniquei ao gabinete do governador que pelas vias que me forem possíveis vou suportar as despesas”.

Quanto ao período de permanência no hotel, o governante disse que ficou perto de trinta dias e não os pouco mais de três meses que foram veiculados pela imprensa.

A província de Nampula é a mais populosa do país e as suas gentes deparam-se diariamente com problemas sérios no acesso aos serviços básicos de saúde, educação, incluindo as vias de acesso que se encontraram, maioritariamente, em avançado estado de degradação.

“Tendo em conta que ficamos lá acima de 30 dias, vamos ver se o hotel vai cobrar na totalidade ou vai usar o princípio de que quando alguém fica num período longo há algum desconto”, disse Borges, aventando a hipótese de recorrer a empréstimos bancários para pagar a dívida.

Segundo o governador de uma das províncias mais pobres do país, durante a sua estadia no hotel, as contas fixaram-se em um milhão e trezentos e cinquenta mil meticais (1.350.000,00Mt) mas, “consoante o valor final que for fixado é possível pedir um empréstimo bancário para pagar. Vamos fazer isso”:

Borges reconhece o papel da mídia

“Quem abordou o assunto fez bem. Também, recebi chamadas de atenção e no mesmo dia em que eu tomei nota da notícia, quando surgiu nas redes sociais, voltei ao palácio. Isso significa que respeitei aquilo que foi o comentário e chamada de atenção, ao invés de procurar defender-me. E a pessoa que escreveu a notícia não fez mal nenhum. Imprensa é isso mesmo, para coisas boas e más, também”, disse Borges em claro reconhecimento do papel da mídia na sua mudança de decisão e retorno a residência oficial.

O Ikweli foi um dos órgãos que, respeitando o cruzamento de fontes, tratou de publicar a notícia nas suas plataformas (www.ikweli.co.mz, facebook/jornalikweli e na sua versão electrónica em pdf). Foi a partir dai que o assunto ganhou vários contornos e maior visibilidade.

 

“Administrador do palácio não tem culpa”

Victor Borges disse que não vai responsabilizar administrativamente nenhum funcionário pela sua mudança para o hotel.

A residência oficial do governador conta com um administrador que, em condições normais, é o responsável pelo saneamento e higiene da infra-estrutura mas, Borges disse que não vai responsabiliza-lo por nada.

“Não! Ele não tem culpa. Nós estamos perante uma situação em que a residência tem um espaço amplo que ocupa e nem sempre é possível controlar um espaço que é vago. Eu nasci e cresci no campo e minha família, praticamente, é camponesa e onde eu vivia existiam ratos. Na verdade, eu não fugi de ratos, permiti apenas que os focos onde havia ratos pudessem ser controlados, de maneiras que à invasão que havia pudesse ser minimizada de maneiras que tivéssemos uma tranquilidade”, concluiu o governante. (Sitoi Lutxeque e Aunício da Silva, Fotos: Hermínio Raja)