Menor desmaia durante processo de aborto caseiro em Alto Molócuè

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Uma menor de 17 anos de idade desmaiou durante o processo de um aborto no distrito de Alto Molocue

Alto Molócuè (IKWELI) – Um caso de interrupção de uma gravidez precoce por pouco não terminou em tragédia no distrito de Alto Molócuè, no centro do país, pois, no último sábado (18), uma menor de 17 anos de idade desmaio durante o procedimento de aborto que estava sendo dirigido por uma parteira na sua própria residência.

A gestação estava no seu quinto mês, e a menor em causa vive com a sua avó, uma idosa. No ano passado de 2018, a mesma menor, na altura com 16 anos teria, com sucesso, feito um outro aborto.

Segundo apurou o Ikweli no terreno, o aborto realizado com sucesso no ano passado foi assistido, também, pela mesma enfermeira de Saúde Materno Infantil.

A senhora Júlia, de 36 anos de idade, é uma parteira afecta aos serviços de saúde pública e, dela esperava-se um comportamento diferente das práticas que tem vindo a promover na comunidade onde vive.

Em troca da interrupção da gestação da menor, a senhora Júlia pediu um pagamento avaliado em oito mil meticais (8.000,00Mt).

O procedimento, segundo contaram-nos testemunhas no local, compreendeu a introdução de cinco comprimidos nos órgãos genitais da menor e ainda a administração de uma injecção.

Três horas depois, a menor começou a passar por uma forte hemorragia, ao que se acredita que pela quantidade de sangue perdido chegou a desmaiar. A parteira vendo a menor nessa situação abandonou-a a sua sorte e sumiu da sua residência.

“Ela é conhecida aqui na zona, até nós quando queremos medicamentos compramos na casa dela. Lá quase tem todo tipo de comprimidos até os que na farmácia não têm”, disse Tiongue Flávio, vizinha da parteira, avançando que aquele não era o primeiro caso de interrupção de uma gestação em que a paciente passa mal na residência da autora.

A mesma fonte denuncia que “aqui no nosso distrito casos deste género são frequentes. No ano passado 2018 um padre havia engravidado uma missionária. A moça junto com o padre foi na casa da mesma parteira para fazer aborto da grávida de quatro meses depois de tudo o padre deu a parteira 15 mil meticais”.

No Hospital Distrital de Alto Molócuè, o Ikweli apurou que a menor foi animada e depois encaminhada para os serviços de Ginecologia, onde recebe cuidados especializados.

“Ela sabe quais são as regras para fazer um aborto seguro, seria ela a aconselhar as mulheres que caso queiram abortar devem se dirigir ao centro de saúde e não ela instalar maternidade na casa dela”, disse Dionísio Cabral, director dos Serviços Distritais da Mulher, Saúde e Acção Social de Alto Molócuè, assegurando que medidas administrativas e criminais serão accionadas para sancionar o comportamento da funcionária.

A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Alto Molócué, através do respectivo comandante distrital, António Rufino, confirmou a detenção da protagonista. (Celestino Manuel)