Mobiles podres estão a afugentar eleitores em Nampula

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A província de Nampula, maior círculo eleitoral, poderá perder acentos na Assembleia da República, caso o processo não seja prolongado.

Nampula (IKWELI) – As constantes avarias dos equipamentos informáticos utilizados no recenseamento eleitoral que termina dentro de dois dias são tidas como sendo um dos principais motivos que desmoralizou aos eleitores em continuarem a se dirigir para os postos de recenseamento.

A província de Nampula, maior círculo eleitoral, poderá perder acentos na Assembleia da República, caso o processo não seja prolongado.

A nossa equipa de reportagem e os nossos correspondentes eleitorais dedicaram as duas últimas semanas para uma observação virada para a questão dos equipamentos informáticos, e a conclusão não podia ser pior: “mobiles e a falta de habilidades no manuseamento dos equipamentos informáticos por parte dos brigadistas afugentaram potenciais eleitores”.

No distrito de Larde, por exemplo, o nosso correspondente assegura que vários postos localizados na vila sede não funcionaram. Pelas contas, o total de dias operados não correspondente sequer a metade dos dias do processo, tudo porque sempre faltou tudo, dentre energia eléctrica, avaria nos mobiles e a falta de toner para a impressão dos cartões.

“Parece mentira mas, aqui em Larde quase que não se recenseou”, conta-nos um potencial eleitor entrevistado pelo nosso correspondente no terreno, para depois prosseguir que “naquela zona de Evati as pessoas iam apenas sentar e assistir os brigadistas e mais tarde desistiram de tentar ir se recensear”.

Em Mogincual, uma fonte que nos pediu o anonimato [por trabalhar no STAE local] disse que “todos os dias chegam-nos problemas dos postos. Há uns que nem se quer funcionaram pelo menos dez dias completos, porque sempre nos reportaram que os mobiles não funcionam, ou não há energia, ou então, não há mesmo tinta nas impressoras”.

Cenário idêntico repete-se um pouco por todos os distritos de Nampula, tal como a nossa correspondente avança dos cenários que testemunhou no posto administrativo de Mirrote, distrito de Erati.

“Aqui em Mirrote o recenseamento está a correr muito mal. Os brigadistas só vão dormir nos postos. Nunca tem condições de trabalhar como deve ser, até parece que esse ano não haverá eleições”, disse Mário Cardoso, em entrevista a nossa correspondente, para depois denunciar “o outro problema são os secretários da Frelimo que andam a caçar pessoas aqui. Eles andam a pedir os cartões de eleitor as pessoas”.

O posto número 277 no distrito de Liupo estava sem tinta até ao fim da tarde de ontem, ainda que a situação tenha sido reportado ao director do STAE local que não se dignou em soluciona-lo.

Na Escola Primária e Completa 25 de Setembro no distrito de Nacala-Porto o posto ali instalado foi cancelado. O motivo, segundo apurou um dos nossos correspondentes, é a fraca afluência dos potenciais eleitores, os quais viram-se obrigados a não voltar ao local porque o equipamento de recenseamento nunca funcionava devidamente. Unilateralmente, o director do STAE naquele distrito decidiu movimentar a equipa para a Escola Secundária São Vicente de Paulo.

Há 49 quilómetros da vila de Nametil, no distrito de Mogovolas, o estado da via de acesso faz com que o mobile afecto a uma escola local não seja assistido, depois de muito tempo de avaria.

Em Mecúburi, também, há relatos de avarias de mobiles, tal como observou o nosso correspondente na zona de Chico, onde há alguns dias não se recenseia.

Há quatro semanas que na EPC de Pedreira, no município de Nampula, o posto ali montado não funciona. Tal como em outros postos, este posto depara-se com o problema de falta de boletins para a impressão dos cartões de eleitores.

Na EPC de Iuluti, no distrito de Mogovolas, mais de meio milhão de cartões não foi impresso porque não há material para o efeito. (Redacção)