Pacificação de Moçambique vai exigir conferência internacional

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Os Presidentes da República e da Renamo reuniram-se em Chimoio e acertaram que a paz deve continuar a ser negociada

O Presidente da República de Moçambique (PR), Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, acordaram no último fim-de-semana na cidade de Chimoio, centro do país, o inicio da preparação da conferência internacional para a mobilização de fundos para a implementação da reintegração dos homens residuais do maior partido da oposição.

Segundo os dois políticos um acordo de paz definitiva será assinado em Agosto próximo, enquanto decorre o processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração das forças residuais da Renamo nas Forças de Defesa e Segurança.

Igualmente, este processo vai implicar, segundo Filipe Nyusi alterações do ponto de vista do quadro jurídico – legais, sobretudo no que se refere a amnistia dos intervenientes.

Na cidade de Nampula, capital do maior círculo eleitoral do país, académicos entrevistados pelo Ikweli dizem-se confiantes na conquista de uma paz definitiva pelo rumo que as negociações têm estado a tomar, adiantando que esperam que o esforço seja honesto e não uma tentativa de “agradar” ao Papa Francisco que em Setembro próximo visita o país.

O académico António Muagerene entende que a recente reunião alimenta enormes expectativas e, em parte, demonstra a confiança e o comprometimento do alcance da paz definitiva no país.

“Aquele discurso [proferido pelo PR na graduação de oficiais na CIPOL, segundo as quais a lista fornecida pela RENAMO era composta por oficiais reformados] veio deitar a baixo as expectativas de todos os moçambicanos sobre o alcance da paz efectiva no país, e mostrar que havia uma complicação na negociação, depois de dois anos de governação do Presidente Nyusi. Portanto, esse encontro em Chimoio veio mostrar uma luz e renovar as esperanças da paz definitiva”, disse Muagerene, que já foi Secretário Executivo da Plataforma Provincial das Organizações da Sociedade Civil de Nampula.

À semelhança do desejo dos dois dirigentes, António Muagerene quer que não haja “interferências negativas” por parte dos partidos políticos, sociedade civil, assim como os órgãos de comunicação social.

“A natureza da negociação é político-militar e é natural que haja elementos de crispação que se exige a compreensão em ambas as partes”, defende o académico que, também, é especialista em governação municipal, encorajando que se paute por declarações conjuntas em comunicados, não de forma extra, como forma de evitar interpretações diferentes da mesa negocial.

Arlindo Muririua, outro académico entrevistado pelo Ikweli, felicitou as duas partes pelos avanços na negociação rumo à paz efectiva, mas pediu para que os dois sejam honestos e que não haja aquilo que considerou de secretismo em ambos, de modo a evitar que as decisões para o bem do povo não sejam partilhadas pública e unilateralmente, uma vez que, segundo ele, isso pode criar mais desconfianças e retardar o processo do alcance dos consensos o mais rápido possível.

“O secretismo deve continuar nos dois dirigentes, e eles devem apenas dar conferência de imprensa depois do encontro entre as partes. Se o outro faz a lista e entrega e ao invés de se encontrarem para discutir a lista o outro sai numa parada policial para manifestar indignação, isso não revela confiança efectiva entre as partes”, disse Muririua. (Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque)