Nampula dispõe de um Centro de Atendimento Integrado das vítimas de violência doméstica

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A cidade de Nampula já dispõe de um centro de atendimento a vítimas de violência doméstica

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, a mais populosa do país, conta desde ontem, segunda-feira (24), com um Centro de Atendimento Integrado (CAI) das vítimas de violência doméstica com serviços especializados.

O governador de Nampula, Victor Borges, testemunhou a inauguração, mostrando satisfeito com a iniciativa por acreditar que vai reduzir no tempo de espera para atendimento das vítimas de tais práticas pois, segundo disse, somente na cidade de Nampula, durante o primeiro semestre do corrente ano foram registados 884 casos de violência doméstica.

O dirigente aponta mulheres e crianças como sendo as maiores vítimas de violência doméstica no mais importante concelho autárquico do norte do país.

“Homem que é homem não bate na mulher, mas vamos acrescentar, também, que  mulher que é mulher não bate no homem e na criança. Fazendo isso, estaremos a caminhar para a equidade e a igualdade de género. Façamos esforço, todos nós, homens e mulheres, adultos e crianças para que cada vez mais vivamos em harmonia na família e na sociedade onde nós estamos, que vivamos em harmonia e paz. O nosso propósito é que possamos ter zero (0) casos de violência geral para que daqui há alguns anos não tenhamos o CAI, mas sim que a violência caia”, desafiou Borges aos presentes.

A nova unidade vai prestar serviços de natureza jurídica, médica e psicossocial às vítimas, nomeadamente mulheres, homens, crianças, jovens e idosos vítimas de violência.

De acordo com Angelina Lobrino, directora provincial do Género, Criança e Acção Social de Nampula, é objectivo do centro aumentar e melhorar a qualidade dos serviços prestados às vítimas de violência doméstica.

“CAI é diferente do Gabinete de Atendimento a Família e Criança, porque o CAI compõe  esses elementos todos que são o sector  da assistência social, saúde, polícia e justiça. Hoje o CAI tornasse realidade. Foi uma longa caminhada para conseguirmos chegar até aqui. Primeiro porque não tínhamos condições  financeiras, ainda que tivéssemos físicas”, disse Lobrino.

O CAI foi concebido com apoio financeiro do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA, sigla na inglesa), através da agência Catalaca que opera em Nampula há 20 anos.

Por seu turno, Simão Chatepa, representante do UNFPA, disse que “o CAI vai beneficiar muitas mulheres, raparigas homens. Que nenhuma vítima deve ser deixado para atrás porque todos contam. É importante contar com as realizações de acção de sensibilização para que mais mulheres e raparigas adiram ao CAI”. (Elisabeth Tavares)