Planeamento familiar e os constrangimentos na adolescência

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O planeamento familiar nao e prejudicial para a saude, apenas pode registar algumas complicacoes de adaptacao

Nampula (IKWELI) – O fenómeno de gravidezes indesejadas tem sido uma das grandes e principais lutas que o governo moçambicano e parceiros trava no seio das comunidades de todo o país, e o advento da expansão dos serviços de planeamento familiar tem vindo a mobilizar muitas jovens e adolescente para a utilização de anticonceptivos.

Por planeamento familiar entende-se o conjunto de acções que têm, como finalidade, contribuir para a saúde da mulher e da criança, permitindo, às mulheres e aos homens, escolher quando querem ter um filho, o número de filhos que querem ter, o espaçamento entre o nascimento dos filhos e o tipo de educação, conforto, qualidade de vida e condições sociais e culturais que seus filhos terão.

A reportagem do Ikweli conversou com várias adolescentes que aderiram a este serviço, as quais revelaram alguns constrangimentos na utilização dos métodos e meios anticonceptivos.

É preocupação das adolescentes e jovens prevenirem-se das gravidezes indesejadas e, a todo o custo, tentarem estudar para garantir um futuro melhor.

Segundo especialistas na matéria a utilização dos métodos anticonceptivos garante uma eficácia na casa dos 98%.

Anastácia Jacinto, adolescente de 16 anos de idade, aderiu ao planeamento familiar como forma de garantir que não esteja grávida e interrompa os seus estudos, depois de uma experiência de gravidez indesejada. “Eu conhece um jovem e começamos  a namorar, ambos não sabíamos dos riscos que era fazer sexo sem prevenção. Dessa relação surgiu uma gravidez indesejada. Na altura eu frequentava a 8ª classe, meu corpo mudou, andava sempre doente. Como eu ainda queria estudar recorre ao aborto que reagiu-me muito mal. Fiquei muito doente, até pensei que não suportaria. Quando eu melhorei, procurei saber dos métodos contraceptivos, e hoje uso o implante, não entro de período menstrual há bom tempo, e no dia que eu for a entrar irei ficar muito tempo. É desconfortável, mas não tenho outra opção”, disse a menor.

De 14 anos de idade, Marta Lima é outra adolescente que recorreu ao uso de anticonceptivos para que não esteja grávida de forma indesejada. Esta menor aderiu ao Dispositivo Intra – Uterino (DIU). “Eu estou há 9 meses a usar o DIU. Desde que comecei a usar não entro de período menstrual, sinto muitas náuseas. De repente fico tonta, e sinto-me muito gorda. Não pretendo deixar de usar pois, isso me tem ajudado bastante”.

Estas histórias foram repetidas por várias outras adolescentes e jovens entrevistadas pelo nosso jornal. Umas mais satisfeitas e outras nem por isso.

“Eu estou há mais de um mês com o período menstrual que não passa porque estou a tomar pílulas. Estou a planear. Fui ao hospital e me disseram que vai passar, e que o meu organismo está a se adaptar”, conta Margarida Alfredo, de 18 anos de idade, aluna da escola secundária Marcelino dos Santos, nos arredores da cidade de Nampula. Esta fonte avança que “quando comecei a fazer o planeamento há seis meses fiquei muito tempo sem menstruar, mas agora até fico com medo”.

Uso de contraceptivos não prejudica a saúde

 A Doutora Mayela Figia, médica ginecologista afecta aos serviços de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Central de Nampula (HCN), garantiu, em entrevista ao Ikweli, que “o uso de métodos contraceptivos não causa nenhum impacto  na saúde da rapariga”, aconselhando para que “todas as adolescentes e jovens que já iniciaram a sua vida sexual façam planeamento familiar”.

“Ainda bem que as adolescentes estão a aderir aos planeamentos familiares. Digo isso por várias razões, primeiro porque estão na adolescência  e o que nós não queremos é que hajam gravidezes precoces durante este período  da adolescência, o organismo da menina não está adaptado para uma gravidez”, avança a medica, para prosseguir dizendo que “segundo essas meninas ainda estão  no ensino primário e secundário. Uma gravidez vai estragar o percurso estudantil  dessas meninas, porque a gravidez  na adolescência é arriscado, e podem ter um trabalho de parto obstruído. Isso pode levar a outras complicações, tais como a fístula obstétrica e rupturas uterinas. Isso tudo vai complicar  a fertilidade desta menina”.

 

Doutora Mayela Figia, médica ginecologista afecta aos serviços de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Central de Nampula (HCN)

A Doutora Mayela Figia garante que “o planeamento familiar não interfere  na saúde da mulher seja ela adolescente, seja ela adulta. Não tem nenhuma complicação. Cada método contraceptivo tem um período de adaptação a cada organismo,   e isso pode vir a ocorrer com algumas  alterações  transitórias”.

A fonte confirma que nos últimos tempos há cada vez mais aderência ao planeamento familiar, quer por parte de adolescente, quer das mulheres na fase adulta, as quais, muitas vezes são aconselhadas durante o serviço de parto.

“A preferência vária com a idade. Por exemplo, as adolescentes  optam mais pela pílula e pelo implante, e as mulheres adultas  optam pelo DIU, pelo implante e pelo método injectável. Tem outras que, por algum motivo,   não pretendem ser mais mães  e optam pelo laqueamento que, também, é um planeamento familiar”, concluiu a fonte. (Aunício da Silva e Elisabeth Tavares)