CDD capacita “agentes da paz” para Nampula e Cabo Delgado

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O CDD defende que os conflitos eleitorais em Moçambique podem ser evitados

Nampula (IKWELI) – O CDD – Centro para Democracia e Desenvolvimento, com seus parceiros, está a formar cinquenta monitores de incidências de violência e conflitos eleitorais que vão trabalhar nas comunidades dos distritos das províncias de Cabo Delgado e Nampula, no norte do país, com o intuito de desimpedir actos que concorram para eleições violentas.

De acordo com o Professor Doutor Adriano Nuvunga, director executivo do CDD, a formação vai durar cinco dias e esperasse que ao fim da actividade todos os monitores estejam aptos para trabalharem nas suas comunidades a partir da segunda-feira próxima.

“A violência e conflitos têm marcado os processos eleitorais em Moçambique e tem afectado, maioritariamente, a mulher no sentido de desencoraja-la a ir aos postos de recenseamento e de votação”, apontou o Prof. Nuvunga, para quem, “neste momento, estamos a desenvolver esta iniciativa no sentido de termos, no terreno, jovens que lidam, ao monitorar todas e quaisquer evidências de violências e reporta-las em tempo real. Termos um grupo de individualidades baseadas nos distritos que vão actuar para a solução imediata desses problemas, de forma a desimpedirem o caminho para as pessoas chegarem aos postos de votação”.

Prof. Adriano Nuvunga – Director Executivo do CDD

Esses jovens, de acordo com o director executivo do CDD, fazem parte de uma rede nacional que está sendo estabelecida para a prevenção, monitoria, resposta e mitigação dos conflitos eleitorais. “Os jovens que estão sendo formados aqui estão baseados nas comunidades. São os agentes da paz nas comunidades”.

“Em cada um dos distritos temos estabelecido um comité de resposta e reconciliação. Sendo que ao nível nacional, temos em Maputo, a nossa central que capta os dados e faz uma articulação directa com os órgãos de administração eleitoral e as entidades de ordem e segurança no país por forma, dependendo da natureza dos conflitos, possam intervir. Um outro trabalho, também, é feito em tempo real com os partidos políticos, com a sociedade civil e com confissões religiosas da mais variada orientação da fé para que possam intervir no sentido de se ter eleições credíveis e sem violência”, fez saber a nossa fonte.

A iniciativa vai ser implementada nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Sofala, Manica, Gaza e Maputo, em parceria com o PNDH, CESC (Centro de Capacitação e Aprendizagem da Sociedade Civil), CEDES (Conselho Ecuménico para o Desenvolvimento Social) e a Pressão Nacional dos Direitos Humanos.

Por outro lado, o académico justificou que “a escolha dessas províncias tem a ver com o historial de conflitos e focos que podem levar a conflitos, a considerar as eleições autárquicas do ano passado”. (Aunício da Silva)