MARIANO NYONGO E A PAZ.

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Nyongo esta a fazer confusao porque a JUnta MIlitar da Renamo nao aceita Ossufo como Presidente

No último texto de opinião escrevi que a eficácia e o cumprimento do acordo subscrito na Praça da Paz algures em Maputo entre o Governo e o líder da RENAMO, Ossufo Momade, dependia muito daquilo que seria o balanço da campanha eleitoral prestes a começar e os resultados das eleições de 15 de Outubro próximo. Debalde, a campanha eleitoral (na sua verdadeira essência e por força da lei eleitoral) nem começou ainda e nem precisou irmos aos votos e anunciar – se os resultados para servir de termómetro para aferir sobre os êxitos alcançados com a assinatura dos acordos de paz.

Se anteriormente, entenda – se, antes da subscrição dos acordos de paz na praça que leva o nome de paz, o aparecimento no seio da RENAMO do grupo chefiado pelo General Mariano Nyongo para desacreditar Ossufo Momade como presidente eleito a luz dos estatutos do partido da perdiz, era visto por alguns como um bom sinal para fragilizar a RENAMO, naquilo que na gíria se chama dividir para reinar, depois da subscrição dos acordos, o sentimento é de repulsa contra o General Nyongo e os seus seguidores. Afinal entende – se que a paz de que tanto o povo moçambicano merece desfrutar está sendo posta em causa pelo grupelho Nyongo.

Sempre reparei com olhos de desconfiança o aparecimento do grupo “rebelde” liderado pelo General Nyongo, quer antes da subscrição dos acordos bem como depois deles.

No meu modesto entender, sem descurar a possibilidade de estar errado, afinal sou humano e como humano, sou falível, entendo haver um grupo de pessoas interessadas que Nyongo continue a reivindicar que Ossufo Momade seja deposto, que seja a Junta Militar da RENAMO a representar este movimento fundado por André Matsangaissa e liderado por muito tempo por Afonso Dlhakama no pleito que se aproxima sob liderança de Mariano Nyongo e que para tal haja o adiamento das eleições.

Se são legítimas ou não as reivindicações do General Nyongo, dos seus seguidores e de quem os instiga, este é um assunto que diz respeito completamente a RENAMO e o seu líder Ossufo Momade. O que não se deve é acomodar por parte do Governo tais reivindicações, sob pena de banalizar – se o Estado que se quer de Direito e Democrático tal como a Constituição da República de Moçambique consagra. Mas não só, há o risco de uma vez acomodadas as reivindicações da Junta Militar da RENAMO por parte do Governo, criar – se um precedente de aparecer mais Nyongos desta vida a reclamar que as suas reivindicações sejam acolhidas só porque dispõe umas dezenas de espingardas na sua posse.

A bem do Estado de Direito e Democrático, que o bom senso prevaleça, sem com isso significar hipotecar este princípio sacrossanto para acolher as reivindicações de uma Junta Militar que sabe onde deve canalizar as suas reivindicações, no seio do seu partido RENAMO através do líder democraticamente eleito Ossufo Momade. (Danilo Tiago)