Mais uma voz ergue-se para boicotar eleições: MAMO mobiliza eleitores a gazetarem as urnas no dia 15 de Outubro

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Nampula (IKWELI) – O partido Movimento Alternativo de Moçambique (MAMO) está a promover uma campanha de persuasão dos eleitores no país para que não possam ir votar no dia 15 de Outubro próximo, em reivindicação da exclusão da sua candidatura pelo Conselho Constitucional (CC) para o mesmo escrutínio.

A campanha eleitoral para o mesmo evento está em curso desde o dia 31 de Agosto findo, e os partidos e seus candidatos já palmilham o país caçando a simpatia do seu eleitorado através de promessas.

De acordo com Estêvão de Fátima, Secretário-Geral do MAMO, a exclusão do seu partido pelo CC é a clara demonstração do autoritarismo a que o estado moçambicano se tornou, bem como uma alegada perseguição permanente que os seus membros sofrem por agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM).

A forma que o MAMO encontrou para reivindicar a decisão do CC é a persuasão dos eleitores para que gazetem a votação. Esta actividade arrancou no mesmo dia com a campanha eleitoral, 31 de Agosto.

Com o propósito de desmobilizar as pessoas a não votarem, Estêvão de Fátima já percorreu alguns distritos de Cabo Delgado, nomeadamente Namuno e Balama. Ontem, quando o entrevistamos, encontrava-se no distrito de Murrupula, na província de Nampula, para depois seguir para as províncias da Zambézia, Niassa e Maputo, onde o partido está inserido.

“Nós fizemos de tudo para podermos concorrer, mas fomos retirados sem explicação nenhuma. Então, achamos que o processo está viciado, por isso estamos a dizer aos nossos membros e simpatizantes que nós não vamos participar e pedir a todos aqueles que são os nossos apoiantes para não votarem em nenhum partido; ficar em casa até que o processo termine”, disse o responsável.

De Fátima disse que o seu partido não está a apoiar a nenhum candidato presidencial e nem a qualquer um outro partido concorrente, pelo facto de não ter lhes sido solicitado este apoio, ou então vontade de coligação. Ainda que nestes dias algum deles manifeste essa vontade, segundo o SG do MAMO, nada pode acontecer porque a decisão de boicotar as VIª eleições já foi tomada pelo colectivo do partido.

A nossa fonte avança que até ao momento, o partido que dirige já despendeu, pelo menos, 30.000,00Mt (trinta mil meticais) na sua campanha ilegal, com a qual pretende alcançar mais de 20 mil membros da sua formação política.

Sem relação com o Nhongo

 Estêvão de Fátima deixou claro que não tem nenhuma relação com Mariano Nhongo, um militar do partido Renamo descontente com o rumo gerado pelas negociações de paz que culminaram com a assinatura de dois acordos políticos.

Nhongo, auto-proclamado presidente da Junta Militar da Renamo, também, já disse que, enquanto não for ouvido, no dia 15 de Outubro não se realizarão eleições no país.

“Nós temos um objectivo, eu penso que o Nhongo não explica o seu objectivo. Formamos o partido para concorrer as eleições, sem explicações nenhuma o partido é retirado [da corrida] e isso nos deixou indignado. A justificação de Nhongo [na anulação da votação] é tipo tribalista, porque ele aponta que não querem o seu líder e isso é diferente do que nós reivindicamos”, esclareceu o político.

Estêvão de Fátima pode ir a cadeia

Entretanto, a Comissão Nacional de Eleições (CPE), através do seu porta-voz Paulo Cuínica, que tomou o conhecimento da situação pelo Ikweli, quando instado a pronunciar-se a propósito, disse que o acto é uma autêntica violação da lei.

“Esta é uma violação. Deve ser levado as autoridades competentes. Este é assunto de polícia. Ninguém deve negar o direito de votar a outra pessoa. É um crime. Este assunto tem de ser levado a polícia”, esclareceu Cuínica.

Quem, também, não sabia dessas intentonas é a própria PRM. Zacarias Nacute, porta-voz da corporação em Nampula, disse, quando chamado pelo Ikweli, que a polícia vai agir.

“É obrigação da PRM agir face a essa situação, mas tem de haver uma denúncia formal, ou a polícia tem de flagrar este acto a acontecer. Uma vez que já nos foi notificado por sua parte vamos mobilizar os colegas lá de Murrupula [local onde até ao fecho da reportagem trabalhava o SG do MAMO] para ver se sensibilizam estes indivíduos a não pautarem por este comportamento e, provavelmente, os seus cabecilhas sejam responsabilizados pelo acto”, concluiu Nacute. (Sitoi Lutxeque)