Um encerramento de assembleias de voto ainda mais agressivo

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No fim da votação em Nampula o ambiente ficou agitado

Nampula (IKWELI) – Depois de uma relativa calmia durante quase toda a tarde deste dia de votação, 15 de Outubro, a situação começou a ganhar contornos alarmantes ao nível do maior círculo eleitoral do país, Nampula, quando passavam das 17h.

As informações que os nossos correspondentes nos distritos avançam é que há casos de disparos de armas de fogo protagonizados por agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM).

Em termos concretos, ao nível da cidade de Nampula, há o registo de eleitores que foram impedidos de votar nas assembleias localizadas na EPC de Mutauanha, Parque Popular, Escola Industrial e Comercial de Nampula, EPC de Napipine, entre outros.

Quanto ao encerramento das mesas, apuramos que até perto das 19h, nas EPC´s de Muthita e de Napipine, ainda havia filas de eleitores com pouco mais de cinquenta pessoas a esperarem do seu momento de votar em três mesas.

Na EPC 7 de Abril, onde se registou um ambiente conturbado durante as primeiras horas do dia, a tranquilidade estava garantida, até pelo menos as 19h30 que os nossos repórteres passaram do local.

Já no posto administrativo de Anchilo, concretamente na zona da Cerâmica, a população local espancou dois agentes da PRM e retirou-lhes as suas armas de fogo. Os dois membros da corporação puseram-se em fuga, e por momentos o trabalho das mesas ficou paralisado. A população reclamava o controlo dos seus votos, mas a polícia impedia essa pretensão.

Já logo depois das 18h, a cidade de Nampula registava a circulação de viaturas policiais do modelo Humer.

Na zona de Mecua, localidade de Corrane, no distrito de Meconta, nossos contactos locais confirmaram o disparo de tiros, bem como a queimada de duas viaturas e a casa do chefe do posto local.

Também em Angoche, as coisas não estão lá grande coisa. Nosso correspondente na região aponta que a residência do chefe do posto de Namaponda foi incendiada. A polícia foi para o local espalhar gás lacrimogéneo e retirar as urnas para a cidade de Angoche, onde os votos deverão ser contados no STAE local.

Já no bairro da horta, a população decidiu bloquear o acesso da EPC Eduardo Mondlane, local onde durante o período de manha foram encontrados boletins pré-votados a favor da Frelimo e do seu candidato presidencial, Filipe Nyusi.

Outro dado menos democrático chega-nos de Nacala-Porto, onde, em pelo menos duas escolas, a polícia foi para lá disparar. O Ikweli registou incidentes desta natureza na EPC de Mathuapué e no Orfanato. Neste último local, a população colocou barricadas e queimou pneus.

Na EPC de Muhuve, no distrito de Nacarôa, nosso correspondente apurou que um grupo de indivíduos, alegadamente do partido Frelimo, deu instruções aos presidentes das mesas ali localizadas para não colarem os editais após o término das actividades.

O local onde o candidato presidencial da Renamo, Ossufo Momade, votou na Ilha de Moçambique, a população decidiu acampar, prometendo abandonar depois que os resultados forem publicados.

Do distrito de Malema, apuramos que durante perto de duas horas registou-se corte no fornecimento da energia eléctrica. O acto ocorreu há cinco minutos do fecho das mesas (17h55) e o restabelecimento chegou as 19h15. (Coordenação: Abrão Chemane, Celestino Manuel, Constantino Henriques, Elisabeth José, Miguel Teodósio e Sitoi Lutxeque *Fotos: Hermínio Raja)