“Entrei na política para ultrapassar as minhas dificuldades” – Ali Faque, conceituado músico moçambicano

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Ali Faque, conceituado musico diz que abraou a politica para sobreviver

Nampula (IKWELI) – No contexto das artes e letras em Moçambique, o nome Momade Ali Faque, ou simplesmente Ali Faque, é uma referência obrigatória quando o assunto é a música, sobretudo no que se refere a música tradicional macua.

Em entrevista exclusiva ao Ikweli, o actual director da Companhia Municipal de Canto e Dança, no concelho autárquico de Nampula, afirma que entrou para a política activa e abraçando um partido da oposição, a Renamo, como uma forma de ultrapassar as dificuldades que enfrenta e, sobretudo por ser deste lado da história do país onde se lhe é oferecido o acolhimento devido.

Ali Faque é pai de três filhos e conta que entrou para o mundo da música nos anos 80, onde, pela primeira vez gravou a sua primeira colectânea de músicas, a qual estava disponível em cassete. Fruto dessa obra, o artista vendeu a sua obra e dai rumou para a cidade capital do país, Maputo.

O nosso entrevistado recorda-se que teve inúmeras dificuldades em se inserir na arena artística nacional, incluindo na principal rádio pública do país, a Rádio Moçambique (RM), mas a sua persistência valeu-lhe o reconhecimento em vários momentos, incluindo as distinções de melhor voz de Moçambique, através das suas composições, destacadamente o Nikiriquita, Emma e Kinachukuro.

A sua vocação é mesmo a música, mas a sobrevivência exige um pouco mais do que a arte por isso, Ali Faque aceitou o convite do partido Renamo e ingressou para a política partidária activa, depois de ponderar todos os riscos e medir as consequências que poderão advir do regime.

Por outro lado, o músico queixa-se da pirataria que desgraça os fazedores da arte perante um olhar impávido das autoridades do sector.

“Eu entrei na política, especialmente na Renamo, porque foi ai onde me refugiei, olhando numa forma humana”, disse o Ali Faque, para depois prosseguir apontando que “na música, hoje em dia, existe muita pirataria e isso acaba não dando valor o nosso trabalho por esse motivo entrei na política e pretendo ficar por um bom tempo”.

Ali Faque está ciente que a música é o seu forte, por isso que “não esqueci a minha arte. Estou presente na vida artística, mas agora quero me dedicar a Renamo para fortalecer a música na minha terra”.

O conceituado músico é natural do distrito costeiro de Angoche e aponta que as oportunidades para os fazedores da arte estão concentradas na capital do país, Maputo, ainda que isoladamente há convites para músicos de outros pontos de Moçambique.

“Dificuldades são várias e não sou apenas eu que passo, são vários os artistas que passam dificuldades em impor o seu talento. As riquezas estão concentradas apenas no sul (Maputo) e os artistas do norte não tem”, concluiu o nosso entrevistado. (Elisabeth José)