Desinformação sobre cólera leva a vandalização da residência do chefe do posto administrativo de Corane

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Ja se registam mortes por colera em Nampula

Nampula (IKWELI) – Um grupo de moradores da localidade sede do posto administrativo de Corane, no distrito de Meconta, em Nampula, vandalizaram a residência oficial do respectivo chefe do posto na última segunda-feira (16), alegadamente, por serem as autoridades governamentais locais responsáveis pela eclosão de doenças diarreicas naquela circunscrição geográfica.

Para além da destruição parcial da residência do chefe do posto, com recurso a materiais contundentes, segundo apuramos, a liderança comunitária, também,  não escapou a fúria dos populares e, vandalizaram e incendiaram cerca de 16 residências, tanto do régulo Mucupera e o seu respectivo cabo, assim como de algumas pessoas que eram desconfiadas de “distribuir cólera na zona”.

Segundo Arlindo Muacigaro, primeiro secretário do comité do círculo 1º de Maio de Corane, que falou em exclusivo ao Ikweli, tudo começou quando na mesma zona três menores perderam vida na semana finda, vítimas de doenças de origem hídrica, um evento considerado estranho pelos populares.

“Eles foram e destruíram parcialmente a residência do chefe do posto daqui de Corane, foram também destruir a casa do cabo e do régulo e as residências de outros populares. Como a  terceira casa do régulo é de construção não convencional, eles até queimaram. Foi muito triste o que aconteceu”, lamentou Arlindo Muacigaro.

“Nós sempre sensibilizamos as pessoas que nenhuma doença é criada pelo homem, todas doenças vem de Deus. Imagine agora essa doença que agita o mundo (Covid-19), alguém mesmo vai dizer que é o governo que trouxe? Penso que não”,  disse a fonte.

Em conformidade com Arlindo Muacigaro, que cita os pronunciamentos das autoridades de saúde locais, Corane ainda não registou casos de cólera. As mortes das três menores, segundo ele, estão  associadas, sim, às diarreias agudas, não a cólera.

De acordo com a fonte, não houve vítimas humanas resultantes da referida acção mas, refira-se que os ânimos dos populares, foi possível controlar graças a forte presença da Unidade de Intervenção Rápida, no local.

Em conexão com o caso, de acordo com a nossa fonte, 17 integrantes do grupo estão sob custódia policial nas esquadras do distrito de Meconta. Segundo a fonte, esse número poderá registar um incremento, pois que, neste momento decorrem trabalhos tendentes a neutralização dos outros “desestabilizadores”,  uma vez que parte são conhecidos, mas que se encontram em partes incertas.

A nossa reportagem ouviu Alberto Alexandre, chefe do posto administrativo de Corane. Esta fonte, também, confirma o incidente mas “eles não entraram dentro da residência do chefe  do posto, mas sim, estiveram a distância e lançaram objectos sobre a casa e destruíram seis janelas de vidros, e queimaram as casas de outros populares incluindo a do régulo Mucupera”, explicou a fonte para quem “neste momento os infractores estão  a ser ouvidos pelas autoridades”, disse.

O Ikweli tentou sem sucesso obter os contornos sobre este acontecimento junto do comando Provincial da República de Moçambique, em Nampula. Aliás, quando interagimos com Dércio Samuel, chefe das Relações Públicas da corporação, ficamos a saber que a entidade ainda desconhecia o incidente. (Constantino Henriques)