Mety Gondola receia que o conflito de Cabo Delgado possa alastrar-se para Nampula

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Mety Gondola esta preocupada que insurgencia nao venha a Nampula

Nampula (IKWELI) – O Secretário de Estado (SE) da província de Nampula, Mety Gondola, disse na manhã de hoje, terça-feira (24) que há todo um receio que o conflito armado que assola a vizinha província de Cabo Delgado se alastre para a mais populosa província do país.

O distrito de Mocímboa da Praia, epicentro dos ataques armados terroristas, foi, praticamente, tomado pelo grupo de terrorista entre a madrugada de ontem, segunda-feira (23), até ao fim do mesmo dia, altura em que ainda era possível manter comunicação telefónica, entendendo que mais tarde as comunicações foram interrompidas.

Na província de Nampula, vários jovens têm sido neutralizados pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) a caminho de Cabo Delgado, aparentemente, com o objectivo de engrossarem as fileiras dos insurgentes, designação que o governo moçambicano decidiu adoptar para os atacantes armados que fustigam o norte daquela província, ainda que com condimentos terroristas.

“Há receio sim”, respondeu Gondola, quando questionado pelo Ikweli se o governo receia que o conflito se alastre para Nampula. “Do nosso lado, o esforço é que Nampula não seja o epicentro que alimenta Cabo Delgado, e há um esforço enorme para que haja garantia da segurança”, prometeu o SE de Nampula, esclarecendo que “o que acontece em Cabo Delgado preocupa a todos e devemos dar o nosso apoio”, ao que nos seus contactos com as Forças de Defesa e Segurança “houve discussão da situação real e o que se pode fazer para garantir segurança”.

A agenda do homem que representa o Presidente da República em Nampula, no dia de hoje (24 de Março), estava reservada a encontros com diferentes classes profissionais e sociais, incluindo jornalistas e um grupo identificados de influentes nas redes sociais, sobretudo o Facebook.

Foi no encontro com os escribas que Gondola referiu-se a este e outros aspectos, incluindo as realizações levadas a cabo durante este curto período que é Secretário de Estado.

A fonte defendeu que o encontro era de familiarização, por que “somos recém -chegados e precisamos do apoio de todos”, e que “aqueles que estão na área de informação acabam conhecendo muitas mais coisas. Nós precisamos de conhecer melhor a nossa província”.

“Pedimos esse apoio reconhecendo que Nampula é uma província complexa do ponto de vista de dimensão populacional e extensão”, avançou Gondola, reconhecendo que a posição que ocupa “é uma tarefa nova sem referências próprias”, por isso “estamos a construí – lá”.

Chuvas e Calamidades

Na revista que fez dos seus primeiros dias de governação, Mety Gondola fez saber que realizou vários encontros de coordenação com instituições que lidam com assuntos de calamidades e chuvas, incluindo outros eventos climáticos, nomeadamente o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Obras Públicas, Saúde e Educação.

“Aqui foi olhar para aquilo que estava acontecendo, em termos de prioridades transitadas e novas prioridades”, disse, para depois apontar que “mapeamos as principais bacias hidrográficas e as com tendência de transbordar”, e “fomos orientando as instituições para irem dando o seu máximo”.

Para mitigar os efeitos das chuvas, Gondola disse que “a decisão que tomamos é a da identificação de zonas altas para a movimentação das populações que estavam em zonas de risco, e fizemos o pré – posicionamento de medicamentos e mantimentos para as zonas de risco”.

Infra-estruturas

Um outro ponto, a que Gondola dedicou tempo na sua locução, estava ligado com o sector de infra-estruturas, e informou que as chuvas destruíram um nível considerável de pontes e casas da população em vários distritos da província.

A fonte falou de 4 pontes destruídas no distrito de Memba, a situação de transitabilidade comprometida no posto administrativo de Aube, distrito de Angoche, bem como as pontes nas regiões de Nanhupo Rio e Luaze, na estrada para Angoche.

No que se refere a construções resilientes, Gondola disse que pelo menos cinco escolas construídas nos últimos cinco anos ficaram destruídas, e neste momento decorre um levantamento técnico para apurar sobre as reais causas e se é que as mesmas podem ser imputadas ao empreiteiro, fiscal da obra ou ao governo.

“Estamos a ver quem foram os empreiteiros e fiscais, para vermos as responsabilidades das partes, incluindo a nossa como governo”, disse.

Saúde

As doenças de origem hídricas, também, mereceram destaque na intervenção de Gondola, reconhecendo que, para os casos de malária e cólera, “precisamos fazer um pouco mais de esforço para colmatar os casos”.

Quanto ao coronavírus, o Secretário de Estado não partilhou nada de novo, apenas limitou-se a informar que “é nossa responsabilidade, como governo, partilhar em caso de registo/ocorrência. Não temos caso positivo registado em Nampula, mas o trabalho é em volta de prevenção e preparação para mitigação em caso de ocorrência. Temos um centro montado na zona da Faina preparado para lidar com a doença em caso de ocorrência. Montamos dois postos de controlo (Nampula e Nacala) ”.

Igualmente, a fonte disse que “há reforço de medidas de controlo das pessoas em quarentena”, as quais “foram mapeadas as moradias onde elas estão e a informação está disponível para todos para melhor controlo. A polícia já tem essa informação”. (Aunício da Silva)