Para proteger a população da covid-19: Vahanle encerra a histórica Feira Dominical

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feira domical de Nampula vende tudo

Nampula (IKWELI) – As actividades na Feira Dominical de Nampula, no norte do país, encontram-se suspensas a partir de hoje (domingo, dia 12), esperando-se que sejam retomadas a partir do dia 30 do corrente mês, como forma de evitar aglomerados, uma das medidas expressas no decreto presidencial sobre o estado de emergência.

A histórica Feira Dominical de Nampula é famoso por ser a maior do norte do país, e um dos principais pontos de compra e fornecimento de produtos de artesanato e carpintaria para vários pontos do país.

É da feira dominical onde o governo autárquico de Nampula colecta as maiores receitas no seu sistema financeiro, e as perdas, tanto para o executivo, assim como dos usuários do espaço, poderão ser desastrosas.

“A prior é sobre a pandemia que estamos a enfrentar e o decreto presidencial no seu artigo 14 de número 4, que suspende a realização de feiras e exposições. Então nós nos sentimos obrigados em colaborar com aquilo que é o decreto, uma vez que a feira acolhe entre 1000 a 1500 vendedores, para além dos compradores que excedem o número de 2500. Então, de forma a evitar as aglomerações, achamos necessário encerrar esta feira e não temos a data de reabertura”, contou-nos Joel Rassi Daúdo, director de Mercados e Feiras no Conselho Autárquico de Nampula.

De acordo com a fonte, no primeiro dia de encerramento, os respectivos utentes pautaram por uma postura de boa convivência social, pelo que não foram registados casos alarmantes. Alias, para garantir tal ordem, foram mobilizados os agentes da polícia da Republica e a polícia camarária que desde a noite do último Sábado estiveram a guarnecer o local, não permitindo r a entrada dos comerciantes.

“Não tivemos nenhuma agitação porque os colegas da PRM [Polícia da República de Moçambique] estiveram aqui desde ontem (Sábado) e graças a Deus neste domingo também ninguém se agitou, ninguém trouxe algo para vender”, disse Joel Rassi, para quem não desconhece o impacto negativo que a medida pode trazer aos cofres da autarquia. “Não podemos negar que é um desfalque, mas como nós sabemos que em primeiro lugar é a saúde do munícipe e do público em geral, portanto, primeiro zelamos pela saúde e depois podemos ver as condições a criar para arrecadação de receita.”

Entretanto, nem todos estão a favor com a medida. Ussene Amisse é um vendedor de fogões naquela feira, o seu receio com a recente medida é de que venha criar muitas dificuldades para sustentar sua família. “Estamos mal. Eu vendo fogões aqui na feira, mas com essa coisa de obrigar-nos para não vender penso que não é normal. Então, como é assim o governo deve fazer alguma coisa para alimentar a população porque não tem nada”, precisou o nosso interlocutor.

“Aqui está estragado porque, há muito tempo não havia esse assunto. Agora, disseram que nos domingos não podem aparecer as pessoas aqui para vender, queremos saber se é por causa desse coronavírus ou se é o governo que inventou esse assunto, queremos saber”, disse o senhor Camilo, outro vendedor,  mesmo não desconhecendo o impacto negativo que covid-19 trouxe ao mundo. (Constantino Henriques)