Está difícil ficar sem beber em estado de emergência: Bares e barracas funcionam “as escondidas” em Nampula

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Em Nampula as pessoas bebem nas escondidas

Nampula (IKWELI) – O cumprimento rigoroso das medidas de prevenção do novo coronavírus decretadas no âmbito do estado de emergência, pelo Presidente da República, continua a ser um grande desafio, sobretudo no contexto da diversão e do prazer.

O Ikweli escalou diversos bairros da cidade de Nampula, e constatamos que os bares e barracas continuam a exercer as suas actividades às escondidas, uma situação que atenta o estado de emergência nacional.

Esta situação preocupa o Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Gondola, o qual manifestou o seu desagrado em reunião mantida com fazedores da cultura, realizado no último fim-de-semana na capital provincial.

Ainda que não haja aglomeração considerável de clientes, as barracas e bares vendem, nas escondidas, os seus produtos, e nalguns casos permitem que os seus consumidores se escondam no interior das mesmas.

Esta prática acontece, muito mais, nos estabelecimentos que se situam no mesmo local das residências dos proprietários. Igualmente, quanto mais espaço possuir as barracas e bares, maior é a possibilidade de acolher clientes de forma clandestina.

Daí que, Mety Gôndola apela aos proprietários a observarem e colocarem em prática as recomendações das autoridades de saúde, de modo que é doença que assola o mundo não atinja muitos moçambicanos e não só.

Questionado pelo Ikweli, na manhã da segunda-feira (13), o porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, Zacarias Nacute, confirmou haver pessoas que não observam as orientações, tendo avançado que, caso sejam flagrados serão responsabilizados pelo acto.

E como resultado operativo da polícia, referente a fiscalização do funcionamento dos estabelecimentos de diversão, três cidadãos moçambicanos que mantinham os seus bares e barracas abertos foram detidos por desobediência às autoridades.

“Existem indivíduos que não observam os princípios estabelecidos, dai que a polícia continua a fazer o seu trabalho de forma a estancar essas situações. Nos últimos dias os cidadãos preferem fecharem-se no interior de uma barraca e vão consumindo as bebidas alcoólicas”, confirmou Zacarias Nacute, tendo acrescentado que o problema não é o consumo dessas bebidas, mas sim, a aglomeração de pessoas que vem de sítios diferentes, o que facilita a contaminação.

Bebidas alcoólicas tradicionais no rolo das preocupações de Gôndola

Outra preocupação avançada pelo Secretário de Estado em Nampula é a venda de bebidas alcoólicas tradicionais em vários pontos da província, onde os vendedores, na sua maioria mulheres, acolhem muitos clientes nas suas residências.

Para além de aglomeração de pessoas nos locais onde vendem essas bebidas, os consumidores também partilham os recipientes para o uso, o que sem dúvidas, contribui em grande escala na contaminação desta doença, entre outras.

Gôndola reconhece a aflição dos vendedores, uma vez que esta actividade permite que se consiga sobreviver em várias famílias. Porém, preciso que as pessoas coloquem em primeiro lugar a vida das suas famílias e amigos, porque, quando maior for a contaminação, maior é a possibilidade de se registar muitas perdas de vidas humanas em Moçambique. (Esmeraldo Boquisse)