Agentes da PRM semeiam terror em Mutauanha

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Nampula (IKWELI) – Um grupo de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) está sendo acusado de semear terror na zona de Nthotha, no bairro de Mutauanha, violentando os residentes locais com recurso a armas e chambocos.

Na segunda-feira da semana passada (20), um grupo de cidadãos residentes na referida zona foi vítima de violência física e moral, levada a cabo por alguns membros da PRM em Nampula, afectos naquela circunscrição geográfica moçambicana.

De acordo com as nossas fontes, por sinal as próprios vítimas, que falaram exclusivamente ao Ikweli, o incidente aconteceu por volta das 18horas em que um grupo de “patrulha” constituído por três agentes policiais avançou com acções de agressão física aos cidadãos que cruzassem pelo caminho sem, no entanto, avançar as reais motivações.

Uma das vítimas da acção humilhante do referido grupo dos policiais é a dona Jacinta Sabonete. Ela, contou-nos que eram por volta das 17horas e 30 minutos quando regressava do seu posto de trabalho, na zona dos bombeiros, em que cruzou com o mesmo grupo dos polícias e que foi obrigada a parar e não safou com a fúria dos homens da lei e ordem.

De acordo com a fonte, para além de levar quatro chambocos perdeu 500.00MT (quinhentos meticais) que trazia do seu posto de sobrevivência.

“É verdade. Eu vinha do meu posto de trabalho, lá sai quando eram 16horas, então por volta das 17h30 encontrei no caminho, mesmo na minha zona esse grupo de polícias. Então, quando cheguei no local eu passei e não cumprimentei, de seguida fui chamada pelos polícias para voltar. Quando voltei, passou um certo senhor que se identificou como pedreiro e que saia do seu serviço, também foi mandado parar e disseram-lhe para se deitar e lhe bateram quatro vezes com aquele chamboco eu a ver”, narrou a dona Jacinta Sabonete.

Ela conta, também, que depois da primeira vítima, “passou um moço que usava uma camisa branca, também, foi perguntado aonde é que estava a sair e ele perguntou se ainda existe algum sítio que bate actualmente. A polícia considerou a resposta do jovem como desafiadora, também foi batido várias vezes até lhe indicarem para seguir um outro caminho que não lhe levava a sua residência, depois dali o jovem disse muito obrigado e foi”.

A dona Jacinta recorda que quando chegou no local encontrou quatro homens e uma mulher que, também, foram obrigados pela polícia a permanecer no local. “Eu apenas me mandavam ficar parada, é quando apareceu um velhote, também, mandaram-lhe parar e lhe bateram seriamente, também o velhote disse obrigado lamentando”, depois daquele episódio “eles disseram-me para eu fazer ginástica. Portanto, eu lhes disse que não sabia fazer ginástica, insistiram-me alegando que eu havia estudado na escola. Depois dali mandaram-se deitar e deram-me cinco chambocos, depois eu lhes disse muito obrigado”.

“No mesmo local perdi meu dinheiro 500.00MT que estava no sutiã. Depois fui em casa e comuniquei ao meu marido e a família sobre o que tinha acontecido comigo”, disse.

Jacinta Sabonete garantiu-nos que conhece, pela cara, os tais polícias que praticaram o acto. Alias, ela disse que um dos polícias é mais conhecido na zona como senhor “Naphuto” termo em emakhuwa para referir um inchaço permanente na testa do policial. “No dia seguinte fui no posto policial e encontrei um polícia e lhe mostrei a minha insatisfação com o que haviam me feito no dia anterior, porque eu tenho passado até no mesmo posto quando venho do serviço, por volta das 18h30 mas nunca aquilo aconteceu”, referiu lamentando pelo facto de naquela zona residencial “o patrulhamento é feito só nas tardes, mas nas noites em que os gatunos circulam a polícia não desempenha o seu papel”. A exigência da dona Jacinta é que as entidades de direito façam o seguimento do caso para se apurar a veracidade. “Sei que assim que falei para este jornal pode ser motivo de perseguição dos mesmos polícias até me matarem, porque aqueles senhores não são bons policias, apenas querem dinheiro da população, mas peço que a justiça seja feita. Esse senhor Naphuto é quem mais pratica este tipo de acções negativas”.

Outra vítima das acções da polícia na zona de Nthotha que falou ao Ikweli é o senhor Gamito António. Esta fonte conta que o tempo que foi interpelado pelo referido grupo dos policiais vinha do mercado, onde tinha ido comprar pão para satisfazer os desejos da filha que havia rejeitado o arroz que seria o jantar daquela segunda-feira de humilhação. No local, para além de levar quatro chambocos, a vítima conta que a polícia pisou e esmagou o pão.

“Éramos quatro pessoas, eu comprei pão e meus amigos compraram cana. Então pelo caminho, perto de um riacho encontramos os polícias. Eles cumprimentaram aos colegas que estavam a frente, como eu estava um pouco atrás não respondi porque não tinha percebido o que haviam falado. Dali disseram-me para me deitar para levar chamboco, sem saber os porquês é quando disseram que primeiro devia levar o chamboco depois as motivações. Tinha que cumprir, pelo que me deitei e levei cinco chambocos e aquele pão que havia comprado a polícia pisou”, disse Gamito, para quem “estamos sem saber o que está acontecer neste bairro, porque o patrulhamento, em condições normais devia começar, pelo menos a partir das 19horas. Era um senhor chamado chefe camisa, mais um senhor que tem uma borbulha grande na cara dele, são policias que bem conhecemos”.

A semelhança da dona Jacinta, Gamito António também exige a justiça porque “nós sofremos muito aqui. 17h30 Não é normal, a polícia devia actuar desta forma pelo menos a partir das 18h30 ou 19hora, agora 17h30 tem mulheres que vão no mercado, pessoas que regressam do serviço, por isso não devia ser essas horas. Será que é por causa dessa situação de coronavírus?”, perguntou Gamito António.

O Ikweli tentou colher uma posição do comando provincial da PRM, mas sem sucesso. Dércio Samuel, do Departamento de Relações Públicas no comando provincial, disse que não sabia do assunto e que o repórter devia levar as pessoas para a polícia a fim de provar o sucedido. (Redacção)