Cumprimento do estado de emergência: Polícia em Nampula caça vendedores e consumidores de bebidas tradicionais

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Nampula (IKWELI) – A menos de 48h para o fim do período decretado pelo Presidente da República (PR) para o estado de emergência, face a prevenção do novo coronavírus, a covid-19, a Polícia da República de Moçambique (PRM) intensifica a sua actuação na cidade de Nampula para a efectivação das medidas.

As acções policiais, segundo apurou o Ikweli chegam a constituir uma violação de direitos humanos.

Cidadãos indefesos e que se fazem a rua a procura de recursos para a sua sobrevivência têm sido atacados por agentes policiais, incluindo vendedores e consumidores de bebidas tradicionais. Muitas famílias vivem de transacções que tem lugar no meio informal, ao que vêm-se obrigadas a saírem a rua todos os dias e/ou então a praticar as suas actividades de venda de pequenos produtos.

Nas unidades residenciais do bairro de Namutequeliua, como é o caso de Mutomote e Expansão, a polícia não tem tido reservas em castigar vendedores e consumidores de bebidas tradicionais.

O senhor Juma dedica-se a venda de bebidas tradicionais na sua residência, no bairro de Namutequeliua, e a última vez que se viu obrigado a ter de cumprir com as medidas do estado de emergência foi porque a polícia o surpreendeu, pouco depois das 21h, a promover aglomerados de pessoas para o consumo, o que lhes valeu espancamento brutal por parte dos homens da lei e ordem.

Esta fonte conta que não foi recolhido para a 4ª Esquadra, porque subornou os agentes da corporação com 300,00Mt (trezentos meticais).

A senhora Cremilda e os seus clientes, também, no mesmo bairro de Namutequeliua, não escaparam da PRM. Encontrados a vender e a consumirem Kabanga, respectivamente, foram espancados e obrigados a pagar valores monetários em troca de prisão.

“Vinham aqui na minha casa dois polícias com intenção de levar a minha kabanga para a Esquadra. Aqui estava cheio de consumidores que não haviam pago, e era noite. Negociei com eles e dei duzentos e cinquenta meticais para restituir-me a liberdade, mas deixaram recomendações para eu parar de vender kabanga, para evitar aglomerações de pessoas, devido a orientação do Presidente da República”, disse a senhora Cremilda.

Através do seu porta-voz em Nampula, Zacarias Nacute, o comando provincial da PRM refuta as acusações de cobranças ilícitas de dinheiro a cidadãos, alegadamente, protagonizadas pelos seus membros.

Ainda assim, a fonte garantiu que a corporação vai averiguar estas acusações, no sentido de garantir que, estando a acontecer, não volte a acontecer. (Redacção)