Depois de um 7 de Abril nas “escondidas”: Mulheres de Nampula procuram organizar o 1 de Junho para as crianças

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Nampula (IKWELI) – Os preparativos das celebrações do dia internacional da criança, uma efeméride cujas comemorações públicas são ainda uma incógnita, devido ao novo coronavírus que afecta o país e o mundo, está a arrastar pais e encarregados de educação dos petizes a desrespeitarem o distanciamento social, nas filas de lojas de venda de vestuários.

Diante de um movimento desusado pelas artérias do maior centro urbano do norte de Moçambique, o Ikweli decidiu por ir observar o ambiente que se registava em algumas lojas da cidade, e a imagem era de lamentar. Filas longas, em alguns casos, e em outros nem por isso, toda a gente estava aglomerada sem observância do distanciamento exigido.

As lojas PEPE, localizadas ao longo da rua Daniel Napatima e das avenidas Eduardo Mondlane e do Trabalho estavam abarrotadas de mães e encarregadas de educação que, ao todo o custo, procuravam adquirir calçados e vestuários para o 1 de Junho, e ainda para o Eid Ul-Fitri.

A única medida preventiva que notamos é apenas o uso obrigatório das máscaras e a lavagens das mãos, mesmo esta última que tem sido de forma tímida e em algum momento forçada por parte dos seguranças dos estabelecimentos comerciais.

Maura Valentim é mãe de três filhos. Ela esteve na loja com um deles, por sinal o mais novo, e que nem sequer portava máscaras numa situação de risco para a contaminação do novo coronavírus. Ainda no meio da fila, e sem observância do distanciamento social, a dona Maura, ao IKWELI, disse que não tinha nenhuma alternativa senão colocar, também, o seu filho exposto, tudo por conta dos vestuários que pretendia adquirir para eles.

“Tinha de levar a criança para experimentar os artigos na loja, para não correr o risco de comprar roupa grande e/ou pequena. Esta criança não pode usar máscara, é muito pequena, por isso está assim”, disse a nossa interlocutora.

Juma Alije, um outro cidadão que esteve nas lojas PEPE para a mesma finalidade, comprar artigos para os seus filhos disse que “mesmo com essa doença, não podemos deixar de agradar as nossas crianças, não soubemos ao certo o que vai acontecer até lá, mas temos que comprar roupas para celebramos o dia do Eid em perfeitas condições, mesmo estando em nossas casas”.

A inobservância do distanciamento social nas fileiras dos estabelecimentos comerciais está, igualmente, a preocupar aos gestores e proprietários das lojas e uma das medidas para descongestionar as filas e as lojas é a não devolução dos produtos adquiridos, numa clara demonstração de que os clientes devem estar cientes nas suas escolhas.

Esaú Samo Gudo, Auditor Comercial da Região Norte das Lojas PEPE, disse, em entrevista exclusiva ao Ikweli, que “nós pedimos o uso obrigatório de máscaras e colocamos poucas pessoas na fila, de modo a observar o distanciamento social, mas algumas pessoas não acatam; os clientes são complicados e não ouvem”, lamentou. (Texto: Elisabeth José, Foto: Hermínio Raja)