Uma “decepção” chamada Vahanle: Cidadãos em Nampula começam a procurar soluções próprias para resolver problemas da autarquia

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ruas estão destruidas em Nampula
  • Nas unidades residenciais de Muthita e Piloto, no posto administrativo autárquico de Muatala, residentes locais estão a melhorar as vias de acesso sob pretexto de que “não se pode esperar por um inoperante” como o autarca Paulo Vahanle.

Nampula (IKWELI) – As condições de saneamento do meio, transitabilidade e mobilidade rodoviária na autarquia de Nampula, maior e mais importante do norte de Moçambique, estão cada vez mais degradadas, perante o olhar despreocupado do presidente Paulo Vahanle.

Sensibilizados com a situação, e cansados de esperar uma resposta por parte dos gestores da autarquia, moradores locais começam a procurar soluções para os vários problemas que os bairros vivem e que contribuem na deterioração da qualidade de vida dos citadinos.

Por exemplo, nas unidades residenciais de Muthita e Piloto, no posto administrativo autárquico de Muatala, os moradores decidiram por se organizar e melhorar as vias de acesso, incluindo a abertura de outras novas vias, no sentido de garantir a mobilidade naquelas comunidades vizinhas.

No último sábado, os moradores abriram uma via de acesso, em estrada, de pouco mais de meio quilómetro.

“Já fizemos vários pedidos, tanto ao Posto Administrativo de Muatala assim como ao Conselho Municipal, para cederem-nos uma máquina para apoiar-nos na abertura da estrada, de modo a facilitar a ligação entre as duas zonas, mas nunca tivemos resposta satisfatória. Por isso, preferimos organizarmo-nos e reabrirmos a rua”, disse Araújo Ernesto, morador da unidade comunal Muthita.

Para materializar o projecto, segundo Araújo, os moradores tinham de contribuir com um valor monetário que variava entre 50,00Mt (cinquenta meticais) a 200,00Mt (duzentos meticais) para, sobretudo, a compra de pedras e saibro para o improviso de uma ponteca sobre o rio Naphutha, que liga as unidades comunais Muthita e Piloto.

Um outro cidadão que preferiu o anonimato lamentou a inércia das autoridades autárquicas, mas mesmo assim apelou aos demais munícipes na situação de aflição, em resolver um problema que deveria contar com apoio da edilidade, a colocar a “mão na massa”.

“Nós sabemos que o município tem máquinas, incluindo bulldozer, destinadas a manutenção de estradas nos bairros e/ou abertura de novas, por isso queremos pedir para um dia sermos cedidos e a gente melhorar as nossas estradas. Estamos dispostos para colaborar com as autoridades, razão pela qual, mesmo sem nenhuma intervenção, decidimos alargar a nossa estrada que permite a ligação rodoviária com a outra unidade comunal”, frisou. (Sitoi Lutxeque)