Mercado do Waresta poderá reabrir a partir de hoje: A grande preocupação é a redução do número de bancas

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Vereador e presidente da assembleia municipal queriam vender mercado do aresta
  • Antes da retirada dos vendedores, ao todo, o espaço era ocupado por 2 mil comerciantes, e após a requalificação, apenas, a metade é que terá espaço.

 Nampula (IKWELI) – Receando uma provável revolução, não pacífica, por parte dos vendedores retirados do mercado do Waresta, na cidade de Nampula, a vereação da Promoção Económica, Mercados e Feiras decidiu por reabrir o espaço, mas o desafio é de não ter lugares suficientes para todos os comerciantes.

Na nossa edição de ontem, segunda-feira (13), publicamos a notícia da pretensão dos vendedores em tomarem, por assalto, o mercado por temerem a venda do espaço a cidadãos somalianos, uma operação liderada pelo presidente da Assembleia Autárquica de Nampula, Tertuliano Juma, sob cumplicidade do vereador Institucional, Desenvolvimento e Cooperação, Chehate Aliasse Essimela, sem anuência do autarca Paulo Vahanle.

Logo pelas primeiras horas de ontem, os vendedores amotinaram-se no local, facto que obrigou a deslocação de Osvaldo Ossufo Momade, vereador do pelouro da Promoção Económica, Mercados e Feiras, a fim de garantir que hoje, terça-feira (14) o mercado volte a ser reutilizado.

Mas, o problema mesmo, é que as bancas reduziram, e os espaços impróprios para a prática de venda de produtos não serão mais utilizados, como são os casos das vias de acesso e passeios. Assim, no lugar de 2 mil lugares, apenas passam a existir 1.000 lugares, o que fará com quem parte dos vendedores continue no mercado de Natikiri, local para onde foram transferidos no processo da requalificação do maior mercado grossista do norte do pais.

A requalificação de mercados, na cidade de Nampula, é uma medida adoptada pela edilidade no âmbito da prevenção contra a pandemia da covid-19.

Expectativa dos vendedores

O Ikweli acompanhou, no terreno, o processo de atribuição dos espaços aos vendedores. No interior, alguns vendedores já conheciam os seus novos espaços, e no exterior, os que ainda não tinham os seus espaços, aguardavam, ansiosamente.

Saíde Alexandre é vendedor de capulanas no Waresta, e a nossa equipa de reportagem disse que “estão a distribuir talhões lá dentro para aquelas pessoas que haviam sido tiradas daqui para lá no novo mercado. Eles haviam dito que devíamos ficar lá noutro mercado e que chegaria a vez que iríamos voltar ao mercado de Waresta”, para depois acrescentar que “estão a seguir a lista. Primeiro começaram os vendedores de calamidade (roupa de segunda mão), depois foram os vendedores de tomate, assim em diante. Eu sou vendedor de capulanas e ainda não fui chamado, não sei se vou recuperar o meu espaço, mas continuo a alimentar esperanças porque o meu nome está na lista”.

Um outro vendedor que esperava, para ser chamado, é o senhor Albino Momade, vendedor de cebola. “Estou aqui desde de manhã, vim receber espaço. Eu vendo cebola neste mercado do Waresta, deixei porque diziam que queriam organizar o mercado, e hoje é o próprio dia de conhecermos onde vamos ficar para continuarmos com os nossos trabalhos, normalmente, visto que lá onde nos mandavam as coisas não corriam como queríamos”.

Por outro lado, satisfeitos estavam os vendedores que já conheciam os seus espaços. “Graças a Deus já consegui o meu espaço, e estou muito feliz”, disse Julai Gilo, vendedor de roupa usada (calamidade)

“Já consegui meu espaço, agora me sinto feliz. Depois da suspensão deste mercado, uma vez fui lá em Natikiri, mas não consegui vantagem porque o negócio estava fraco. Agora já estou de volta a casa”, disse Izy Normal, outro vendedor que acabava de ser atribuído um espaço nas novas demarcações no mercado grossista do Waresta.

O mercado está preparado

 “Depois deste trabalho que nos submetemos a fazer, que era de três dias, mas depois tivemos que prolongar era mais para melhorar o nosso mercado e já ultimamos com todo processo. Já fizemos a limpeza, o distanciamento social, inclusive já fizemos a pulverização. Então, o mercado agora está preparado para receber comerciantes e clientes, principalmente no âmbito da prevenção da covid-19”, disse ao Ikweli o vereador Osvaldo Ossufo Momade, para quem “estamos muito felizes pelo feito porque não é fácil, assim como os comerciantes, também, estão felizes”.

Num outro desenvolvimento, o vereador comentou sobre a informação que dá conta de que o presidente da Assembleia Autárquica vendeu o mercado. “Surgiu muito boato neste período, ora vendemos o mercado, ora assim que mudaram para lá não irão voltar para sempre, mas agora já estamos a voltar, já estamos a devolver o mercado aos nossos munícipes, e isso nos deixa tão satisfeitos”.

Quanto a distribuição dos espaços, Momade apontou que “logo na retirada de todos os comerciantes, o mercado tem secções, e cada secção tem seus chefes, entretanto os chefes passaram os nomes dos seus utentes e é com base naquelas listas que nós estamos a fazer chamadas para depois indicarmos os espaços”.

A redução de espaços não escapou dos comentários do jovem vereador. “Antes deste trabalho, nós tínhamos cerca de 2000 comerciantes, mas agora, depois do distanciamento social, estamos com cerca de 1000 bancas, mas isso não é problema, porque algumas secções vamos separar pelo que não constitui problema mesmo assim”, apontou a fonte, para depois avançar que “para nós, o mais importante é a saúde dos nossos munícipes. Agora, se alguém ficar sem espaço, bom, é normal porque, para este tipo de trabalho nem todo mundo vai sair feliz, mas o que nos interessa é que a maioria está feliz e, também, o que mais nos satisfaz é que estamos a devolver o mercado, isso é que é o mais importante para nós”.

“Para todos os cidadãos tenho a dizer que o Waresta está de volta, e encontra-se ainda mais melhorado. Para os nossos irmãos que não conseguirem espaço aqui, que não fiquem tristes, porque temos vários mercados que deverão ser acomodados, temos por exemplo o de Natikiri que é um mercado que o município quer apostar a 100%, assim como Waresta. Que não criem tumultos, porque vamos continuar com os nossos trabalhos normalmente, e esperamos com esta medida que tomamos no Waresta abranger todos os mercados da nossa autarquia”, concluiu o nosso interlocutor, assegurando que até o mercado grossista do Waresta estará em uso pleno.  (Texto: Aunício da Silva e Constantino Henriques *Foto: Hermínio Raja)