Agente da PRM acusado de violentar idosos e destruir a residência deles em Nampula

0
85
Um agente da PRM em Nampula esta a violentar idosos

Nampula (IKWELI) – Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, é acusado de ter destruído a residência de um casal de idosos, no último sábado (18), na unidade comunal 1º de Maio, no bairro de Carrupeia, na cidade de Nampula, deixando-os sem abrigo, por razões ainda desconhecidas.

Armindo Mwassuca, vítima da brutalidade do agente policial, conta que antes da destruição da sua moradia foi recolhido e detido na 3ª Esquadra, durante quatro dias, pelo seu vizinho que é membro da corporação, sem razão aparente.

“Foi na semana passada, eu tinha ido à machamba quando regresso, ele [polícia] mandou o sobrinho para atirar pedras sobre a minha casa. Então, quando procurei saber as motivações que levaram a atirar pedras no meu quintal ele veio, junto com o sobrinho, depois amarrou-me e pôs-me na motorizada, no caminho levou soruma e colocou no meu bolso, mas eu nunca fumei, apenas bebo quando eu entender”, contou o senhor Armindo, de 64 anos de idade.

“Na 3ª esquadra fiquei detido, durante quatro dias, e no quinto dia ele veio me buscar e disse pronto, a sua família não está aqui, vou-te tirar desta cadeia, depois levou-me até em casa da minha neta”, acrescentou a fonte.

O senhor Armindo disse, falando à imprensa, que tem sido vítima de abusos perpetrados pelo agente policial e a sua família, incluindo filhos menores que o tratam por ladrão.

A fonte conta, ainda, que pela manhã do dia da destruição da sua residência “fui a barragem, e na altura a minha mulher tinha ido à cidade [onde tem pedido esmola]. Então, quando regresso, por volta das 18 horas entrei. Ele voltou a dizer que iria me levar a cadeia, novamente, uma vez que a primeira foi ele quem me havia soltado, então quando perguntei as razões de, novamente, levar-me a cadeia é quando começou a destruir a minha casa. Eu estava lá dentro e a minha mulher era antes de chegar”, relatou o nosso interlocutor, para quem “dali não tive como sair e arranjei furo e fugi para a casa de outro vizinho, lá em cima, e só voltei mais tarde para defender minha mulher, caso viesse da cidade”.

Para além da destruição da sua residência, Armindo Mwassuca falou, igualmente, que perdeu alguns bens que se encontrava no interior da casa. “Levaram colchão que havia lá dentro, nosso dinheiro 12.500,00Mt (doze mil e quinhentos meticais) que estávamos a guardar para a recuperação da nossa casa porque, para além do valor que a minha mulher trazia da cidade, eu também conseguia como camponês”.

O caso, segundo a vítima, já deu entrada na 3ª esquadra da PRM, localizada no populoso bairro de Namicopo, de onde foi garantido que seria destacada uma equipa para averiguar a situação, mas que nenhum socorro foi prestado, até o fecho desta reportagem.

A fonte exige que a justiça seja feita perante as autoridades competentes, “porque isso aqui chama-se crime. Se eu não fugisse havia de me matar, havia de incendiar a casa. Eu sinto isso, mas como sou população que não tenho nome tudo dependerá das próprias autoridades sobre este assunto”, precisou a fonte.

Rassiki Amade, de 56 anos de idade, é a esposa do senhor Armindo. Para ela o incidente deixou-lhe chocada uma vez que o mesmo terá acontecido na sua ausência. “Eu estava lá na cidade a pedir esmola porque agora não tenho idade, já sou velha e não tenho filhos porque morreram e apenas fiquei com o meu marido e meus netos”, contextualizou a vítima, acrescentando que “quando cheguei apanhei o quintal caído, casa de banho destruída, toda casa partida, todas coisas ali dentro espalhadas, e fiquei preocupada sobre onde estava o meu marido”, contou a dona Rassiki, acrescentando que “eles levaram tudo, o dinheiro, o colchão, incluindo as panelas que estavam dentro e levaram parte da minha roupa”.

A senhora também fala que não teve pronto-socorro por parte da 3ª Esquadra da PRM, mesmo depois de o casal ter metido o caso, mas “depois passaram uma notificação e até hoje nada aconteceu”.

Lídia Arlindo, uma das residentes daquela unidade comunal, disse estranhar o cenário que se vive entre o agente policial e aqueles idosos. “Conheço esses velhos já faz tempo, quase todos que estão a residir agora encontraram esses velhos aqui. A contradição que sai sempre é com esse tal polícia que tem a tendência de ameaçar esses velhos para poderem se afastar e ficar a manifestar-se da maneira como ele [polícia] quer. É isso que estou a achar, porque ele convive com muita marginalidade e em nenhum momento já levou aqueles marginais para a esquadra, então, porque é um velho e está inconsciente, está sentado no seu quintal, leva e manda na esquadra”, lamentou a fonte.

Carlos dos Santos é o referido agente policial, afecto a 4ª Esquadra da cidade de Nampula. Contactado pelo Ikwelipara reagir as acusações que pesam sobre si, disse que as mesmas não constituem verdade. Aliás, segundo o nosso interlocutor, a destruição da residência daqueles idosos foi protagonizada pela “própria população” daquela zona que não compactua com o comportamento do senhor Armindo, caracterizado por insultos inclusive promessa de morte a outrem.

O Comando Provincial da PRM em Nampula, através do seu porta-voz Dércio Samuel, disse não ter o registo deste incidente, mas que garante pronunciar-se oportunamente. “Prometemos nos pronunciar num outro momento”, disse o porta-voz da corporação nesta segunda-feira (20), durante a conferência de imprensa. (Redação)