Do empoderamento económico a roubalheira: Há cada vez mais mulheres a fugirem com dinheiro de PCR

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Nampula (IKWELI) – Com o advento dos movimentos feministas e o empoderamento da mulher na sociedade, a perspectiva económica passou a ser uma das mais dominantes, e com o efeito organizações não-governamentais tomaram a dianteira do processo, advogando a criação de grupos de Poupança e Crédito Rotativo (PCR).

Esta prática (PCR) foi ganhando vida e réplica em vários pontos da província de Nampula, incluindo que o melhoramento da vida de alguns membros de certos grupos foi motivando mulheres de outras comunidades a juntarem-se, mesmo sem assistência especializada, para desenvolverem a actividade.

Todavia, volvidos estes anos, a grande preocupação é com mulheres de conduta duvidosa que tem aderido aos grupos para burlar as companheiras. Algumas tem sido tesoureiras dos grupos que desaparecem com os valores na caixa, outras decidem ser primeiras a receber o crédito e a posterior desaparecem.

A direcção provincial do Género, Criança e Acção Social de Nampula confirma a ocorrência de casos de burla nestes grupos, tal como nos disse a senhora Hermenegilda Miguel, funcionária daquela instituição.

“Já tivemos vários casos. O último foi registado no distrito de Eráti. Era um grupo misto de homens e mulheres e tentamos resolver o caso pacificamente, mas não estávamos a conseguir. Acabamos levando o caso para as autoridades. Nós, como instituição, em relação aos nossos grupos de poupança e associações temos feito o acompanhamento para dar o apoio técnico e ajudando na resolução de possíveis conflitos”, disse a nossa fonte governamental.

Um caso recente de burla em grupo de PCR foi registado na semana passada, no bairro Muhala Belenenses, nos arredores da cidade de Nampula.

Segundo apurou o Ikweli das integrantes do grupo, o mesmo era, anteriormente, constituído por 9 senhoras, e nos últimos dias chegou uma nova senhora que pediu para integrar o grupo.

Nisto, segundo nos contaram, a mesma pediu para ser a primeira a receber o valor, cujo ciclo de reembolso é semanal.

Na nova data para a entrega da próxima beneficiária, a referida burladora não apareceu, e desligou as suas formas de contacto, incluindo a residência que indicou como a sua moradia não a pertence.

Ao que tudo indica, a referida cidadã sumiu com, pelo menos, 10.800,00Mt (dez mil e oitocentos meticais).

“Essa senhora veio ter connosco no início deste mês e disse que queria fazer parte do grupo de xitique, nós aceitamos porque já víamos ela sempre aqui no bairro. Pediu para ser a primeira a receber, juntamos o dinheiro e entregamos. Cada uma de nós tirou 1.200,00Mt (mil e duzentos meticais). Eramos 9 pessoas, e no total saio 10.800,00Mt (dez mil e oitocentos meticais). Foi a primeira a receber, no dia 20 para que ela utilizasse no dia 22 (dia da cidade de Nampula)”, disse ao Ikweli a senhora Julieta Luís, membro do referido grupo, acrescentando que “tínhamos marcado uma sentada para o dia 23 de Agosto (domingo), e ela não apareceu. Tentamos ligar para o número dela e está desligado. Na casa onde ela dizia morar, os donos de casa dizem que ela não vivia lá. Procuramos em todos os lugares onde suspeitávamos e não a encontramos”.

“Vamos procurar a ela até encontrar para levarmos a polícia”, disse a outro membro Anastácia Jorge, apontando que “isso nunca aconteceu com esse grupo, e estamos há bom tempo a fazer poupança”.

Hermenegilda Miguel reconhece, para este grupo, que “essa senhora ao desaparecer prejudicou as outras, porque cada uma já tinha feito os seus planos e objetivos. Esse comportamento vem minar aquilo que é a confiança dos membros, e em consequência disso as mulheres ficam com medo de fazer a poupança, e atrasa o desenvolvimento delas”. Elisabeth José